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  • Relatório da SaferNet revela que mais de 1 milhão de usuários do Telegram estão em grupos que vendem imagens de abuso sexual infantil

    / / Crimes na Web / Por marcelo / 1 ano 7 meses atrás

    Relatório da SaferNet encaminhado ao Ministério Público Federal, à Polícia Federal e a autoridades francesas revela que mais de 1,25 milhão de usuários do Telegram no Brasil estão em grupos em que ocorrem a venda e o compartilhamento de imagens de abuso sexual infantil e outros crimes como imagens de nudez e sexo vazadas sem consentimento e a venda de material pornográfico gerado com inteligência artificial. 

    O relatório “Em suas próprias palavras: Como o Telegram tem sido usado no Brasil como um espaço de comércio virtual por criminosos sexuais”, é fruto de uma pesquisa minuciosa realizada em 874 links do Telegram denunciados à SaferNet por usuários da internet do Brasil e de outros países no primeiro semestre de 2024 por “pornografia infantil” (imagens de abuso e exploração sexual infantil). 

    A SaferNet analisou minuciosamente os links do Telegram denunciados e descobriu que 149 deles (17% do total) ainda seguiam ativos normalmente entre julho e setembro deste ano, sem terem sofrido qualquer tipo de restrição pela plataforma, com usuários e administradores cometendo vários crimes como compartilhamento e venda de imagens de abuso e exploração sexual infantil, de imagens de nudez e sexo vazadas sem consentimento e a venda de material pornográfico gerado com inteligência artificial. 

    O mapeamento, conduzido de forma manual e com verificação humana, também identificou mais 66 links, que nunca haviam sido denunciados, contendo conteúdos criminosos semelhantes que foram compartilhados dentro dos grupos ou canais do Telegram. 

    Somente em uma das comunidades ainda ativas com comercialização e distribuição de imagens de abuso e exploração sexual infantil no Telegram, a SaferNet contou 200 mil usuários. No total, os grupos, comunidades, canais e demais links do app contendo esse tipo de conteúdo contavam com mais de 1,25 milhão de usuários. 

    A análise realizada pela Safernet deu origem a um relatório de 21 páginas (com 3 anexos técnicos), que foi entregue nesta quarta-feira (23 de outubro), à Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do MPF em São Paulo. O relatório indica os links denunciados onde foram encontrados indícios claros de conteúdo criminoso e podem gerar investigações criminais e cíveis. 

    Telegram líder de denúncias

    Entre os apps de mensagem, o Telegram lidera em número de denúncias de “pornografia infantil” recebidas pela SaferNet. E, desde 2021, o Telegram está entre os 10 domínios com mais links desse tipo de crime denunciados à ONG. Em 2022 e 2023, o app ocupou a quinta posição no ranking geral de domínios com mais denúncias de “pornografia infantil”. Em 2023, a Safernet recebeu 3274 denúncias desse tipo de crime no Telegram, um aumento de 77% em relação ao ano anterior.

    Há anos, o Telegram tem sido alvo de denúncias por não remover comunidades e usuários brasileiros que incitam a discriminação racial, de gênero, de classe, bem como ataques à democracia, ataques em escolas, apologia ao nazismo e a exploração sexual de crianças e adolescentes. Parte da ineficiência do Telegram em cooperar com as autoridades está vinculada ao seu sistema de denúncias, considerado inadequado pela SaferNet e por outros hotlines no mundo inteiro. 

    A plataforma permite que os usuários reportem conteúdos de mensagens, grupos ou canais pelo aplicativo ou por e-mail, sendo necessário escrever para o e-mail abuse@telegram.org com o assunto “Denúncia usuário @nome”, incluir detalhes do motivo da denúncia e aguardar um retorno da empresa. 

    Ao contrário de outras plataformas, o Telegram não divulga dados sobre a quantidade de conteúdos moderados / removidos ou o número de denúncias recebidas de usuários e autoridades, enquanto que outras plataformas fazem isso. Essa falta de transparência e o não cumprimento de determinações judiciais tornam o Telegram alvo de ações criminais em todo o mundo. 

    O Telegram não responde requisições de nenhum dos 54 hotlines filiados à INHOPE, a associação internacional de canais de denúncia de crimes sexuais contra crianças e adolescentes na Internet. 

    A Safernet é uma organização não governamental de defesa dos direitos humanos na internet que existe desde 2005 e mantém a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, que recebe denúncias de usuários da internet sobre 11 crimes. A central é conveniada com o Ministério Público Federal, que recebe apenas os links diferentes entre si e os analisa para verificar se há ou não indícios de crime. O canal de denúncias da SaferNet permite e garante o anonimato dos denunciantes, o que pode ser crucial, especialmente em casos de abuso sexual. 

    Falta de moderação, transparência e informação

    Para o presidente da Safernet, Thiago Tavares, os dados do relatório são “alarmantes” e “demonstram a precariedade da moderação por parte da plataforma, que tem apenas 35 funcionários em todo o mundo para operar um app com 900 milhões de usuários. Essa é uma omissão que precisa ser reparada”. 

    Além da falta de moderação e omissão da empresa, a Safernet descobriu que parte dos conteúdos são publicados por bots ou vendidos aceitando como pagamento criptomoedas, o que facilita a anonimização dos autores dos crimes, dificultando que eles venham a ser identificados e processados. 

    Boa parte dos pagamentos dessas transações são operados por robôs. O Telegram alega não processar pagamentos diretamente em transações feitas dessa forma e que é cliente de 23 processadores de pagamento distintos que alcançam todo o mundo. 

    A SaferNet identificou e pesquisou as informações de registro de cada um desses 23 processadores de pagamento, vinculados a fintechs. 

    A Safernet não conseguiu descobrir a origem de cinco processadores de pagamentos, pois não foi possível identificar o país de registro deles. Já as 18 empresas financeiras identificadas estão principalmente na Rússia (6) e na Ucrânia (5) e nas ex-repúblicas soviéticas do Uzbequistão e Cazaquistão, com dois processadores cada. Os demais estão em Hong Kong, Chipre, Reino Unido, Camboja e Etiópia. 

    A Safernet verificou ainda que quatro das plataformas de pagamento usadas pelo Telegram sofreram sanções internacionais: YooMoney, Sberbank, PSB e Bank 131. 

    Para o presidente da SaferNet, o fato de empresas sancionadas e outras fintechs estrangeiras sem registro no Banco Central (BACEN) serem utilizadas para intermediar pagamentos no Brasil pode facilitar a ocorrência de outros crimes como lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo. "Solicitamos ao MPF que oficie o BACEN e a ENCCLA para realizar estudos sobre eventuais lacunas existentes na regulação do setor e apresente recomendações para o sistema financeiro nacional coibir esse tipo de prática", afirma Thiago Tavares.

    Telegram investigado pelo mundo

    Além do MPF, o relatório será encaminhado para a Polícia Federal e ao hotline Francês Point de Contact, membro do INHOPE, e que trabalha diretamente com as autoridades francesas que investigam diversos crimes no Telegram e a falta de colaboração da empresa com a Justiça daquele país.

    Essa investigação levou recentemente o presidente e fundador da companhia, Pavel Durov, à prisão no dia 25 de agosto, na França, onde ele é investigado por 12 crimes. Ele agora está respondendo em liberdade, mas não pode deixar o país. 

    O Telegram também é investigado na Índia e um recente relatório do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) apontou que o Telegram facilita o crime organizado no Sudeste Asiático e que a criptografia do aplicativo dificulta que criminosos sejam detectados pelas autoridades. 

    Acesse a versão pública do relatório.

    Representação às autoridades

    A representação da SaferNet Brasil será protocolada na Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC) em São Paulo. Cabe à PRDC atuar na defesa de direitos constitucionais como a liberdade, igualdade, dignidade, saúde, educação, segurança pública, o direito à informação e à livre expressão, entre outros. Em 2021, o MPF instaurou Inquérito Civil Público para apurar as deficiências nos canais de denúncia e práticas de moderação de conteúdo das plataformas digitais, incluindo o Telegram. 

     

    Projeto DISCOVER

    A análise realizada pela Safernet foi feita no âmbito do projeto DISCOVER, de prevenção da prática de abuso e exploração sexual infantil. Neste projeto, apoiado pelo fundo Safe Online, a Safernet indexa palavras, acrônimos (siglas, abreviações, palavras codificadas ou com erros propositais de ortografia ou digitação) e emojis em português, inglês e espanhol usados por predadores sexuais ao organizar, divulgar, compartilhar ou trocar imagens de abuso e exploração sexual infantil e ou na tentativa de aliciar crianças e adolescentes a produzirem esses conteúdos. 

    Durante a análise dos links denunciados do Telegram, realizada entre os meses de junho e agosto deste ano, a SaferNet identificou 190 palavras-chave, acrônimos, emojis e hashtags em três idiomas (português, inglês e espanhol) utilizados para compartilhar, buscar ou comercializar materiais ilícitos. 

    Usando as palavras-chaves, as autoridades que receberão o relatório poderão treinar algoritmos de aprendizado por máquinas (machine learning), e aperfeiçoar sistemas de detecção baseados em heurísticas de busca por esses termos. Somadas, essas medidas ajudarão na detecção de conteúdos ilegais e de seus propagadores. O trabalho realizado em busca de imagens ilegais contribuirá para que vítimas também sejam localizadas e identificadas de forma mais rápida, agilizando o combate ao abuso e à exploração sexual no Brasil e em outros países. 

    Por conceito, heurísticas são padrões comuns de texto ou palavras-chave que podem ser típicos de uma determinada categoria de violação de política.

    Conteúdos detectados por heurísticas geralmente são revisados por moderadores de conteúdo humanos antes que uma ação seja tomada sobre o conteúdo. Heurísticas são tipicamente utilizadas para permitir que as plataformas reajam rapidamente a novas formas de violações que surgem online, incluindo novas formas de disseminação de imagens de abuso e exploração sexual infantil. 

    Uma parte do trabalho já realizado pelo DISCOVER foi apresentado por Tavares em novembro de 2023 na França em uma reunião técnica de especialistas do mundo todo, convidados pelo fundo SafeOnline, We Protect e Governo Francês. 

    Texto publicado em 23/10/2024

    Assessoria de Imprensa

    SaferNet Brasil

    Marcelo Oliveira

    11-98100-9521

  • Safernet integra Comitê Nacional de Educação e Cultura em Direitos Humanos

    / / Segurança Digital / Por admin / 1 ano 8 meses atrás

    A Safernet foi selecionada para ser uma das quatro representantes da Sociedade Civil e de Movimentos Sociais no Comitê Nacional de Educação e Cultura em Direitos Humanos (CNECDH), do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, no biênio 2024-2025. 

    Esta será a primeira composição do comitê com o nome atual, estabelecido por decreto do presidente Luís Inácio Lula da Silva, em dezembro de 2023. Entre 2003 e 2019, o comitê chamava-se Comitê Nacional de Educação em Direitos Humanos (CNEDH). O comitê havia sido extinto, junto com outros órgãos consultivos, em abril de 2019. 

    O Diário Oficial da União desta quarta-feira (25) traz os nomes dos representantes da sociedade civil no comitê

    Representarão a Safernet no comitê o gerente de projetos Guilherme Alves (titular) e a psicóloga Bianca Orrico (suplente). Ambos integram a equipe do programa Disciplina de Cidadania Digital, projeto que visa ensinar o uso consciente e ético das redes por estudantes do ensino médio e dos dois últimos anos do fundamental. 

    Guilherme Alves e Bianca Orrico da Safernet. Foto: Eduardo Braz 

    Além da Safernet, também foram selecionados por edital público o Instituto de Educação e Direitos Humanos Paulo Freire, o Instituto Vladimir Herzog e a Rede Brasileira de Educação em Direitos Humanos. A comissão julgadora analisou se as organizações cumpriam as regras do edital: 5 anos de atuação comprovada na área de Educação em Direitos Humanos, uma mulher indicada como titular ou suplente e uma pessoa autodeclarada preta, parda ou indígena como titular ou suplente. 

    O Comitê

    Com o objetivo de assessorar a formulação de políticas públicas de educação e cultura em direitos humanos, o colegiado irá subsidiar a implementação, a divulgação, o monitoramento e a avaliação do Plano Nacional de Educação em Direitos Humanos e das Diretrizes Nacionais para a Educação em Direitos Humanos.

    O decreto também afirma que, entre as competências do comitê, constam “assessoramento na realização de programas, projetos e parcerias relacionados à educação e cultura em direitos humanos; proposição de medidas e ações que visem a promoção e o fortalecimento da educação popular e educação e mídia em direitos humanos, inclusive digitais”.

    A promoção de diálogo e troca de experiências com outros comitês e conselhos de direitos, como o Conselho Nacional de Secretários de Educação, contribuirá para o estabelecimento de estratégias comuns de atuação. Elaboração de estudos, pesquisas e materiais necessários ao desenvolvimento e apoio à elaboração de estratégias de combate ao discurso de ódio integram os objetivos do colegiado.

    Composição do comitê

    Presidido pela assessora especial de Educação e Cultura em Direitos Humanos do MDHC, Letícia Cesarino, o Comitê Nacional de Educação e Cultura em Direitos Humanos é composto, no total, por 21 representantes do governo e sociedade civil. Além do MDHC, farão parte do colegiado agentes dos ministérios da Cultura; da Educação; da Igualdade Racial; da Justiça e Segurança Pública; das Mulheres; dos Povos Indígenas; e da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República.

    O comitê contará, ainda, com a presença de representantes de docentes da educação básica e superior; de entidades da sociedade civil e movimentos sociais com atuação relevante na área de educação em direitos humanos; de especialistas com atuação relevante e notório saber na área de educação em direitos humanos; da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação; e do Conselho Nacional de Secretários de Educação.

    * Com informações do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania

    Texto publicado em 25/09/2024

  • Safernet formaliza cooperação com secretarias do DF, Curitiba e Natal

    / / Segurança Digital / Por admin / 1 ano 9 meses atrás

    A Safernet assinou no final do mês de agosto três instrumentos formais de cooperação com a Secretaria de Justiça e Cidadania do do Distrito Federal, e com as Secretarias Municipais de Educação de Curitiba e Natal visando contribuir com esses órgãos públicos no desenvolvimento de ações educativas dentro e fora de sala de aula para que crianças e adolescentes do DF e dessas duas capitais sobre o uso seguro e consciente da Internet e tecnologias de informação e comunicação (TICs). 

    Dois dos instrumentos assinados (Governo do DF e Prefeitura de Natal) passaram a vigorar nesta quarta-feira (4) com a publicação nos respectivos diários oficiais. O Acordo de Cooperação com a prefeitura de Curitiba está em vigor desde 30 de agosto. Os três instrumentos de cooperação assinados não envolvem repasses de recursos públicos à Safernet. 

    Curitiba

    O Acordo de Cooperação firmado com a prefeitura de Curitiba foi assinado em 21 de agosto com a Secretaria de Educação e tem validade de cinco anos. 

    O documento prevê que a SaferNet contribua com o município em ações para a prevenção do ciberbullying, em ações educativas sobre o uso seguro e consciente da internet e das TICs e a ONG deverá colocar à disposição dos profissionais da Secretaria Municipal de Educação o curso Segurança e Cidadania Digital em Sala de Aula, que integra a Disciplina de Cidadania Digital da SaferNet, além de palestras para profissionais da SME. 

    Natal 

    Já com a prefeitura de Natal a SaferNet firmou um Termo de Cooperação Técnica com a Secretaria Municipal de Educação no dia 30 de agosto. 

    Pelo documento firmado entre as partes estão previstas ações para disseminar aos professores e estudantes da rede municipal conhecimento para o uso consciente e seguro da internet e TICs e a disponibilização de materiais sobre Cidadania Digital. O acordo tem validade de dois anos. 

    Tanto em Curitiba quanto em Natal, as atividades acordadas entre as prefeituras e a SaferNet visam auxiliar as secretarias na efetivação das competências e habilidades sobre uso seguro e consciente de tecnologia previstas na Base Nacional Curricular Comum (BNCC) e no complemento da BNCC sobre ensino de computação.

    Distrito Federal

    Com o Governo do Distrito Federal, a Safernet assinou no dia 30 de agosto um Acordo de Cooperação Técnica com a Secretaria de Justiça e Cidadania do DF. 

    O documento prevê o apoio da SaferNet para o projeto da pasta “Juntos por uma internet mais segura para crianças e adolescentes”. 

    A SaferNet oferecerá conteúdos para campanhas, projetos e ações para o uso seguro da internet por crianças e adolescentes, além de realizar formações com servidores, com Conselheiros Tutelares do DF e conselheiros jovens do Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente. O acordo vale pelos próximos dois anos. 

    Sobre a Safernet e a Disciplina de Cidadania Digital

    A Safernet existe desde 2005 e tornou-se a ONG brasileira de referência na promoção dos direitos humanos na internet. Com uma abordagem multissetorial, atua no combate a crimes cibernéticos contra os Direitos Humanos, no acolhimento de vítimas de violência online e em programas de educação, prevenção e conscientização. 

    A Safernet mantém a Central Nacional de Denúncias, conveniada ao Ministério Público Federal e o Canal de Ajuda, o Helpline, para vítimas de violência e outros problemas online. A Safernet promove o uso seguro da internet com projetos educacionais como a Disciplina de Cidadania Digital

    A Disciplina de Cidadania Digital foi desenvolvida pela Safernet e pelo Governo do Reino Unido no âmbito do Programa de Acesso Digital (Digital Access Programme, em inglês). Em dois anos de aplicação nas escolas do Brasil, o projeto já alcançou 287 escolas de 17 estados e do Distrito Federal. No momento, quase 31 mil alunos tiveram acesso aos conteúdos da plataforma em sala de aula, ministrados por 327 professores. 

    Em todas as unidades da federação, quase 4000 professores se matricularam no Curso para Formação de Educadores da Disciplina, disponível no site do projeto e na Plataforma Avamec, do Ministério da Educação. 

    Saiba detalhes de como está a aplicação do projeto pelo país em nosso mapa interativo

    Matéria publicada em 05/09/2024

  • Safernet lança segunda edição do Prêmio Cidadania Digital em Ação

    / / Segurança Digital / Por admin / 1 ano 9 meses atrás

    A Safernet e o Governo do Reino Unido lançaram a segunda edição do Prêmio Cidadania Digital em Ação, que vai premiar até cinco experiências mais inovadoras realizadas por professoras e professores que aderirem à Disciplina de Cidadania Digital e que estão desenvolvendo atividades a partir do caderno de aulas do projeto. 

    O prêmio levará em consideração relatos de experiência que se destacarem pelo protagonismo estudantil, engajamento com a comunidade, empoderamento digital e práticas pedagógicas. Na inscrição, o professor ou professora contará como os conteúdos sobre bem-estar digital, privacidade, ciberbullying ou outros temas foram trabalhados e impactaram positivamente seus estudantes, a escola ou a comunidade.

    O prêmio visa celebrar professoras e professores do ensino médio e dos anos finais do ensino fundamental que, por meio de metodologias inovadoras e participativas, promovem a transformação social e o engajamento de estudantes a se tornarem cidadãos críticos e conscientes nos ambientes digitais. A iniciativa integra o projeto da Disciplina de Cidadania Digital, uma parceria da ONG Safernet Brasil e do Governo do Reino Unido no âmbito do Programa de Acesso Digital (Digital Access Programme, DAP). 

    As inscrições para relatos de experiência do primeiro semestre de 2024 terminam dia 15 de setembro. Projetos realizados no segundo semestre poderão ser inscritos até 15 de dezembro. A premiação será entregue em São Paulo, no dia 11 de fevereiro de 2025, no evento principal do Dia Mundial da Internet Segura no Brasil. 

    Para se inscrever no prêmio, é necessário que a professora ou professor tenha aderido formalmente ao projeto até a data de inscrição de seu relato de experiência. Para aderir ao projeto, clique aqui

    “Queremos dar visibilidade para professores e professoras que têm se empenhado para mudar a relação de seus estudantes com a tecnologia, seguindo o que já preconiza a Base Nacional Comum Curricular. Queremos saber de que forma estes educadores têm levado as discussões sobre cidadania digital para a sala de aula e quais impactos isso tem tido junto aos adolescentes. Temos acompanhado histórias transformadoras, e precisamos contá-las para que sirvam de referência”, explica Guilherme Alves, gerente de projetos na Safernet Brasil e coordenador da iniciativa.

    Leia o edital completo do prêmio aqui

    Premiações 

    Disciplina pelo Brasil

    Em dois anos de aplicação no país, a Disciplina de Cidadania Digital já alcançou 287 escolas de 17 estados e no Distrito Federal. No momento, quase 31 mil alunos tiveram acesso aos conteúdos da plataforma em sala de aula, ministrados por 327 professores. 

    Em todas as unidades da federação, quase 4000 professores se matricularam no Curso para Formação de Educadores da Disciplina, disponível no site do projeto e na Plataforma Avamec

    Saiba detalhes de como está a aplicação do projeto pelo país em nosso mapa interativo

    Novidades 

    Esta será a segunda edição do prêmio. Na edição de 2023, o reconhecimento foi entregue a 3 escolas em cerimônia realizada em São Paulo no dia 6 de fevereiro de 2024. Este ano, a novidade é o aumento das escolas premiadas (até 5) e a criação de categorias para facilitar as inscrições. As inscrições também estão sendo abertas em duas etapas, com relatos de experiências realizadas no primeiro semestre e relatos do segundo semestre.

    Na edição de 2023, em primeiro lugar ficou o Instituto Federal da Paraíba, Campus Cajazeiras. Uma turma de 39 estudantes do primeiro ano do curso técnico de Informática do instituto desenvolveu, com orientação do professor de informática João Paulo Freitas de Oliveira, uma página de Instagram com vídeos e memes criados por eles com dicas sobre o uso seguro e cidadão da internet.

    Premiação

    Todos os cinco professores premiados na edição de 2024 do prêmio ganharão um notebook e uma viagem para comparecer à cerimônia de premiação no Dia da Internet Segura 2025. Um aluno representante de cada turma premiada será escolhido e também viajará a São Paulo. 

    A escola receberá um troféu e todos os alunos participantes receberão certificados, medalhas e um kit de brindes do projeto. 

    No último dia 15 de agosto professores que estão usando os conteúdos da Disciplina de Cidadania Digital participaram de uma roda de conversa onde trocaram experiências sobre o projeto. Na ocasião, eles foram informados sobre a nova edição da premiação e as regras da edição 2024 da premiação. 

    Texto publicado em 27/08/2024

  • Safernet assina acordo de cooperação sobre educação midiática com a Secretaria de Comunicação Social

    / / Segurança Digital / Por admin / 1 ano 9 meses atrás

    A Safernet assinou um acordo de cooperação com a Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República com o objetivo de desenvolver produtos e ações que contribuam para a educação midiática da população e com a estratégia brasileira na área. O acordo foi publicado no Diário Oficial da União em 24 de julho passado e não envolve transferência de recursos financeiros. Outras 8 organizações da sociedade civil também fazem parte do acordo.

    As organizações que fazem parte deste acordo já atuaram em parceria com a Secom na primeira Semana Brasileira de Educação Midiática, em outubro de 2023, quando foi lançado um repositório de conteúdos sobre o tema.

    Entre as ações previstas estão a atuação conjunta para subsidiar o debate e as diretrizes sobre o tema, a disponibilização de recursos pedagógicos digitais para a Coletânea de Educação Midiática da plataforma AVAMEC, voltada à formação de educadores, além da colaboração com o desenvolvimento da Estratégia Brasileira de Educação Midiática.

    Em parceria com a Secom, a Safernet publicou na AVAMEC os seguintes cursos: o curso Cidadão Digital (25h), Educação midiática para adolescentes e jovens (5h) e Educando para Boas Escolhas Online (60h).

    Estratégia Brasileira de Educação Midiática (EBEM)

    Construída a partir de consulta pública que recebeu mais de 400 contribuições, a EBEM foi lançada durante a 1ª Semana Brasileira de Educação Midiática, em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e cooperação da UNESCO Brasil.

    A EBEM está alinhada com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que apresenta referências relacionadas à educação midiática em pelo menos seis de suas competências gerais para a educação básica.

    Mais recentemente, a Política Nacional de Educação Digital (Lei nº 14.533/2023), instituída em janeiro de 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estipulou também estratégias prioritárias sob a perspectiva de inclusão digital com enfoque em uma perspectiva informacional e cidadã, que vão além do ensino formal.

    Além da Safernet, também firmaram esse acordo com a Secom a Ação Educativa, Associação Abaré - Escola de Jornalismo, Coletivo Brasil de Comunicação Social - Intervozes, Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Geledés Instituto da Mulher Negra, Instituto Palavra Aberta, Instituto Vero e a Redes Cordiais - Educação e Mídias. 

    *Com informações da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom/PR)

    Texto publicado em 23/08/2024

  • Safernet reúne jovens no Rio para pensar o combate à desinformação

    / / Segurança Digital / Por admin / 1 ano 9 meses atrás

    A Safernet realizou semana passada a “Oficina de Educação Midiática para Adolescentes e Jovens”. O evento fez parte da agenda da Cúpula do Y20, o grupo de engajamento jovem do G20 - o grupo das 20 nações mais desenvolvidas do mundo, atualmente sob a presidência do Brasil, realizada de 12 a 16 de agosto no Rio de Janeiro. 

    A oficina, realizada no galpão da Ação da Cidadania, no último dia 14, é parte do projeto Disciplina de Cidadania Digital, criada pela Safernet em parceria com o governo do Reino Unido, que busca levar às escolas e aos professores da rede pública de ensino brasileiras conteúdos para fomentar as discussões sobre cidadania digital em sala de aula. 

    As ideias e soluções propostas pelos adolescentes participantes da oficina servirão como referências para um novo módulo sobre educação midiática e desinformação que vai compor o caderno de aulas da Disciplina de Cidadania Digital.

    Até o momento, em dois anos de aplicação do projeto, a disciplina já atingiu quase 31 mil estudantes em 287 escolas de 193 municípios brasileiros, em 17 estados e no Distrito Federal. O curso de formação para professores que integra o projeto e está disponível na plataforma AVAMEC teve até agora quase 4000 matriculados em todo o país. 

    Participaram da oficina, adolescentes do Colégio Estadual André Maurois, e participantes de programas sociais da ONG Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro (Cedeca). 

    A partir da mediação da equipe da Safernet e de dinâmicas que foram propostas no encontro, os estudantes “protagonizaram discussões sobre desinformação e educação midiática”, afirma Isabella Ferro, assistente de projetos da Safernet. 

    Durante a oficina, eles pensaram soluções para os problemas que a sociedade enfrenta atualmente, relacionados à desinformação e às fake news. Também foi discutido “como eles podem se engajar para mobilizar outros jovens, outros adolescentes nessa luta pela educação midiática”, afirmou Gustavo Barreto, assistente de projetos da Safernet. 

    Estudantes participam da dinâmica conduzida pela Safernet na oficina. Foto: Eduardo Braz / Safernet 

    Os jovens falam

    Uma das participantes da oficina foi Heloísa Oliveira, de 17 anos. Ela e seu grupo na oficina discutiram perfis fakes criados para difamar pessoas e impulsionar discursos de ódio. “O tema que nos deram foi de um fake que fizeram no qual pegaram a imagem de um homem e a distorceram, colocando ele como uma pessoa trans, o que envolvia também o uso indevido da imagem de alguém”, contou. A participação de Heloísa na oficina da Safernet a estimulou a ir em outra agenda do Y20. 

    Já o estudante Robert Alves, 16 anos, sugeriu a ideia que conteúdos dessa natureza sejam tratados mais cedo na escola, desde o fundamental, devido à realidade de que a internet e as redes sociais são usadas cada vez mais cedo pelas crianças e adolescentes. 

    Para a jovem embaixadora da Safernet Julia Fernandes, “é muito importante que os jovens se reconheçam como protagonistas da sua própria história, como pessoas que têm autonomia de mudar o mundo, mas acima de tudo, também mudar a sua própria comunidade, através de políticas públicas, de mobilizações, manifestações que eles têm o direito de fazer. Nós temos essa voz, nós temos a democracia a nosso favor, então é muito incrível estar hoje nesse evento para a gente de fato ver essa troca tão rica em conhecimento e novas experiências, perspectivas que certamente vão acrescentar muito em tudo que eles estão fazendo hoje”. 

    Unicef e MPF

    A participação dos jovens no debate de temas que impactam diretamente em suas vidas foi defendido por representantes do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e do Ministério Público Federal. 

    “Em 2022 nós fizemos o projeto ‘Primeiro Voto’ e, para as eleições de 2024, o ‘Voto Consciente’, ambos criados justamente para conscientizar os jovens sobre a questão da desinformação e passar informações sobre como checar informações”, contou a Procuradora Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, Neide Cardoso.

    “Vocês sabiam que participação é um direito? Vocês têm obrigações: estudar, ser uma pessoa bacana. Só que vocês também são sujeitos de direitos. Ou seja, também podem e devem exercitar esse direito à participação”, disse Joana Fontoura, oficial de Desenvolvimento e Participação de Adolescentes do Unicef. 

    Veja o vídeo institucional da Safernet sobre a oficina. 

    Texto publicado em 22/08/2024

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