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  • Nota sobre a cobertura de massacres em escolas

    / / Comportamento Online / Por admin / 4 dias 17 horas atrás

    Esta semana vimos circular mais uma vez uma série de notícias, reportagens, postagens e também boatos com nomes, fotos e detalhes sobre o ataque a uma escola de educação infantil em Santa Catarina. Este episódio reabre novamente a questão se a maneira como atentados e massacres em escolas são noticiados podem influenciar a ocorrência de outros.

    A tendência da mídia em geral é concentrar seus esforços em desvendar o que se passa na cabeça do autor de um ataque, vasculhar sua vida, perfil nas redes sociais e todos os passos tomados para planejar o ataque. A audiência também por curiosidade busca saber detalhes do episódio, imagens, e principalmente sempre vem a pergunta do por quê e qual foi motivação para tal ato.

    Mas é um erro atribuir ao bullying ou aos games violentos os motivos para a ocorrência de uma violência dessa natureza. Primeiro porque nem toda vítima de bullying ou jogadores de games violentos estão propensos a cometerem os mesmos atos, segundo porque é preciso sempre informar às pessoas que o que faz alguém passar a um ato trágico como este é uma combinação complexa de fatores, não é possível atribuir uma causalidade única. Sabemos que o sofrimento e a angústia, especialmente dos familiares, faz com todos busquem respostas como forma de dar alguma explicação para uma dor que permanece indizível, onde faltam palavras. Por isso o momento é de respeitar esta dor e fazer uma cobertura responsável que preserve a identidade de todos os envolvido,

    Estudos da The American Psychological Association apontam que o tipo de cobertura da mídia é um fator que pode levar a mais ocorrências de ataques, o que se chama de contágio da mídia (media contagion), ou efeito copycat, que é quando o modo como é feita cobertura destes eventos inspira outras pessoas a cometeram atentados semelhantes. A pesquisadora Jennifer Johnston é categórica ao dizer que se formadores de opinião de veículos e redes sociais fizerem um pacto para não mais compartilhar, reproduzir ou publicar nomes, rostos, histórias detalhadas dos assassinos, poderemos ver uma redução dramática de novos casos.

    Mostrar nomes, materiais usados no planejamento dos ataques, site, grupos e fóruns de apologia à violência tem efeito tutorial e muito prejudicial. A exposição massiva na imprensa é o troféu para grupos que estimulam ataques violentos na internet. Assim, forma-se um círculo vicioso. Sites de projetos que defendem uma mudança na forma de relatar crimes como assassinatos em série, como o No Notoriety e o Don't Name Them, explicam bem como essa lógica funciona. 

    Por isso é tão importante que seja feita uma cobertura responsável que aponte para as questões de fundo envolvidas em mais este episódio sobre a violência nas escolas e qual é o papel de cada um, poder público, comunidade e imprensa para evitar que outros casos semelhantes aconteçam. 

    Recomendações para cobertura da mídia:

    • Não cite nomes das pessoas envolvidas, isso só aumenta a curiosidade e faz com que haja um culto a personalidade dos assassinos;
    • Não tonre o autor do ataque protagonista da notícia, conte as histórias das vítmas e de heróis anônimos que salvaram vidas em atentados;
    • Preserve a identidade dos envolvidos, o Estatuto da Criança e do adolescente garante o direito ao respeito da inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral, e que abrange a preservação da imagem e da identidade da criança e do adolescente 
    • Explique que motivações são plurais e não determinadas por um único fator/episódio/aspecto isolado. Bullying, jogos violentos, grupos on-line, conflitos interpessoais e a "deep web" não transformam ninguém em um assassino, mas podem influenciar comportamentos e estimular radicalização;
    • Sempre que possível, dê visibilidade a programas educativos e ações de sucesso que promovem a convivência social e ambientes acolhedores para mediar conflitos nas escolas;
    • Mostre como denunciar e buscar ajuda ao identificar sinais e suspeitas;
    • Não espetacularize tragédias humanas.

    Pais e educadores também têm um papel importante. 

    Fique atento aos sinais de alerta em casa e na escola

    • Em geral, há preparação e sinais prévios;
    • Reações extremas e comportamentos agressivos repentinos em situações pontuais podem ser sinal de dificuldade de regulação emocional e controle da raiva;
    • Isolamento social, desconexão repentina com atividades escolares, mudança nos hábitos de sono e alimentação; 
    • Expressão de sentimento de perseguição e verbalização de planos de vingança (nas conversas na escola ou na Internet);
    • Fascinação e obsessão por armas, publicações de fotos e vídeos com exaltação do uso de armas; 
    • Pesquisas excessivas na Internet sobre ataques, tragédias e conteúdos de apologia à violência;
    • Glorificação de ataques e de atiradores;

    A tecnologia não tem culpa

    • O uso da criptografia é importante para garantir o direito à privacidade e a livre comunicação. Para o combate a crimes na internet e na chamada deep web, deve-se fortalecer mecanismos de investigação e a cooperação internacional entre autoridades.
    • Os jogos eletrônicos podem ter narrativas muito complexas. Mesmo que alguns abordem temas violentos e possuam personagens com condutas antissociais, não podemos estabelecer uma relação de causa e efeito entre jogos violentos e comportamento violento, especialmente ao considerarmos que são bilhões de jogadores que jamais comentem qualquer violência. Há classificação indicativa dos jogos para orientar as famílias e ferramentas de controle parental para limitar as interações entre crianças e adolescentes. 

    Prevenir para proteger

    • Alunos precisam ser educados para diferenciar zoeira de discriminação, intimidação e humilhação. Isso é educar para a cultura de respeito e cidadania; 
    • Investir em educação socioemocional é uma forma de investir em relações sociais mais saudáveis, logo mais seguras;
    • Ações de acolhimento e valorização da diversidade ajudam a construir ambientes mais saudáveis;
    • Crianças e adolescentes precisam de apoio para aprender a expressar suas emoções e sentimentos, incluindo aquelas que por ventura pratiquem bullying. 
    • É preciso garantir o cuidado com a saúde mental e emocional também dos educadores e profissionais das escolas;
    • Capacitar professores e oferecer recursos para implementação de ações de promoção de convivência pacífica como preconizado pela Lei 13.185/2015 e na própria LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação);
    • Estimular iniciativas de resolução pacífica de conflitos fortalece a solidariedade no contexto da escola, e atende às previsões das competências gerais da Base Nacional Comum Curricular.
    • Promover ações sobre uso seguro, responsável e crítico da Internet pode estimular rotinas digitais mais saudáveis entre os alunos e relações mais empáticas também no contexto do ensino remoto. 

    Se for o caso, denuncie:

    • Crimes de incitação à violência na Internet? Acesse www.denuncie.org.br
    • Crimes de incitação à violência fora da Internet? Acesse a Sala do Cidadão do MPF www.mpf.mp.br/sac

    As redes sociais e as principais plataformas online não permitem publicação de conteúdos de apologia à violência com ameaças a alvos ou planejamento de ataques. Denuncie postagens suspeitas. 

    Facebook

    Youtube

    Instagram

    Twitter

    Tik Tok

    Após tragédias como em Santa Catarina é muito importante criar espaços seguros para acolher o sofrimento dos sobreviventes e dos familiares. Que o triste episódio estimule a criação de mais iniciativas de promoção da cultura de paz.

    Equipe SaferNet Brasil

    07/05/2021

  • Safernet fecha parceria com Ministério Público do Rio Grande do Sul

    / Institucional / Comportamento Online / Por julianaalencar / 1 mês 4 dias atrás

    A Safernet, ONG que há 15 anos atua na promoção do uso ético, seguro, responsável e crítico da internet, com foco em direitos humanos, fechou em março de 2021 uma parceria institucional com o Ministério Público do Rio Grande do Sul, para colaboração no MP On, projeto que reúne ações e iniciativas para educação digital para pais, professores, orientadores, crianças e adolescentes.

    Desde março, conteúdos e materiais desenvolvidos pela Safernet estão hospedados no hotsite do MP On, ao lado de peças desenvolvidas pelo MP RS para o projeto, como a campanha Quando uma Imagem Vira Pesadelo e chatbot "Fale com a Manu".

    Para conhecer o MP On, acesse o site do projeto em https://www.mprs.mp.br/hotsite/mpon/#mpon-safernet.

  • Safernet Programa Cidadão Digital é indicado a premiação internacional

    / Institucional / / Por julianaalencar / 1 mês 3 semanas atrás
    O Cidadão Digital, programa da Safernet Brasil e do Facebook que levou ações de educação para cidadania digital a 97 mil alunos da rede pública em 2020, está concorrendo a WSIS Prizes, principal premiação da UIT (União Internacional de Telecomunicações), agência da Organização das Nações Unidas (ONU). As votações estão abertas até o dia 31 de março. Qualquer pessoa pode votar.    Para participar da votação e ajudar , basta seguir o passo a passo.

    O Cidadão Digital, programa da Safernet Brasil e do Facebook que levou ações de educação para cidadania digital a 97 mil alunos da rede pública em 2020, está concorrendo a WSIS Prizes, principal premiação da UIT (União Internacional de Telecomunicações), agência da Organização das Nações Unidas (ONU). As votações estão abertas até o dia 31 de março. Qualquer pessoa pode votar.   

    Para participar da votação e ajudar , basta seguir o passo a passo.

    1. Acesse a página para se cadastrar no site da UIT (http://bit.ly/wsiscadastro). Clique em Register as New User e faça seu cadastro.

    2. Confirme o cadastro no seu email.

    3. Volte ao site (http://bit.ly/wsiscadastro) e faça o seu login.

    4. Já logado, entre no site (http://bit.ly/wsiscd2020.) e clique em Voting Form. 

    6. Acesse a categoria AL C5 Building confidence and security in use of ICTs. Escolha o projeto "Digital Citizen" e clique em Vote for this project. O sistema irá te redirecionar para votar em outras categorias, mas isso não é necessário!

     

  • Safernet e Facebook levam ações de combate à desinformação sobre COVID-19 e vacinas para 50 mil alunos do ensino público

    / Institucional / Comportamento Online / Por julianaalencar / 1 mês 3 semanas atrás

    A Safernet Brasil e o Facebook, em parceria com o Instituto Palavra Aberta, anunciam o lançamento da segunda edição do Cidadão Digital, programa criado com o intuito de levar ações de educação para cidadania digital a alunos da rede pública de todo o país. Neste ano, o programa gratuito tem como prioridade capacitar os jovens para a análise crítica de informações, principalmente relacionadas à Covid-19, já que a epidemia ressaltou a importância e a urgência de combater a desinformação na área da saúde. O Instituto Palavra Aberta, referência em educação midiática no Brasil, será o parceiro responsável por desenvolver esse material para o programa. O objetivo em 2021 será chegar a 50 mil alunos de escolas públicas, prioritariamente entre 13 a 17 anos, e 8 mil educadores, entre junho e dezembro.

    “A educação midiática é um grande recurso para construirmos uma sociedade mais informada. Nesta edição do Cidadão Digital, reforçamos as bases para que os jovens estejam preparados para identificar informações potencialmente incorretas sobre COVID-19 e vacinas, mas isso os ajudará a fazer uma leitura crítica de notícias sobre outros temas também. Como o jovem é muitas vezes um vetor da informação em suas famílias, esperamos estar contribuindo também para levar informação a seus amigos e familiares,” afirma a gerente de bem-estar do Facebook na América Latina, Daniele Kleiner

    “Entendemos que a educação midiática tem que ser encarada como um direito de todos, pois permite que qualquer pessoa passe a analisar criticamente as informações em qualquer meio, a produzir conteúdo com mais responsabilidade e, principalmente, a atuar de forma ética e segura do ambiente digital. Para o Instituto Palavra Aberta, participar desta edição do Cidadão Digital é uma grande oportunidade de contribuirmos para o aprofundamento do letramento digital e informacional de jovens, num momento em que essas habilidades passam a ser cada vez mais necessárias com o cenário de pandemia que vivemos”, explica Patricia Blanco, presidente do Instituto Palavra Aberta.

    Os temas que foram abordados em 2020 também estão contemplados na nova edição do programa, como segurança, privacidade, comportamentos positivos nas redes e autocuidado online. As atividades desenvolvidas propõem educar sobre como verificar e compartilhar informações online de forma responsável, como promover o respeito e a empatia na Internet, como prevenir o bullying, além da importância de gerenciar sua presença online com ferramentas de privacidade e segurança.

    Esta edição contará ainda com o novo módulo Criptografia de Ponto a Ponto para conscientizar sobre a importância do uso deste recurso para um ambiente digital mais seguro e privado. Entre as novidades, o Cidadão Digital lançará um Manual Prático de Segurança Digital para Escolas e um Guia de Formação em Educação para Cidadania Digital para Educadores.

    "Em 2021, os temas continuam urgentes e nosso objetivo é reforçar que precisamos falar não apenas das tecnologias como ferramentas no ensino remoto, mas também pautar o uso ético das tecnologias na vida cotidiana dos alunos, dentro e fora do contexto escolar. Estamos animados para trabalhar com os novos jovens na promoção de rotinas digitais mais saudáveis, atentos especialmente aos desafios de cuidado com a saúde mental deles", reforça Rodrigo Nejm, diretor de educação da Safernet Brasil.

    A primeira etapa do projeto se inicia com um processo seletivo de jovens embaixadores que, após passarem por uma capacitação e experimentarem a criação de conteúdos online, receberão uma bolsa de R$ 1.500 do programa e ministrarão as atividades de educação digital com mentoria e supervisão da equipe da Safernet. Os jovens interessados em se tornar embaixadores podem se inscrever a partir do dia 17 de março no site www.cidadaodigital.org.br.

    Segundo Jade Christinne dos Santos, embaixadora do programa em 2020 e jovem mentora em 2021, "O Cidadão Digital me ajudou a desenvolver muitas habilidades, como a articulação. Fechamos uma parceria institucional com a secretaria de educação da minha cidade, e isso permitiu que levássemos as atividades do programa a 28 escolas. Estou muito satisfeita em ter contribuído para transformar o Cidadão Digital em uma ferramenta de política pública e entusiasmada em facilitar essa trajetória para outros jovens." 

    Os educadores poderão inscrever suas escolas e turmas online para receber as ações remotas do programa e também participar da formação online exclusiva sobre cidadania digital, com certificação gratuita.

     

    Resultados de 2020

    Em 2020, o Cidadão Digital impactou mais de 97 mil estudantes, superando a meta de alcançar 30 mil estudantes até o fim do ano passado. "Em 2020, mesmo com as dificuldades decorrentes da pandemia, conseguimos gerar um impacto social enorme, estimulando usos mais positivos das redes. Os jovens embaixadores trouxeram propostas criativas e engajadoras, implementadas como educação entre pares, para mobilizar alunos da rede pública de forma leve e dinâmica", observa Rodrigo Nejm, diretor de educação da Safernet Brasil.

    Ao todo, foram mais de 922 horas de atividades em diversos formatos que pudessem engajar os estudantes como videoaulas, dinâmicas em aplicativos de mensagem, jogos e quizzes e exercícios em grupos de redes sociais. Além dos 97 mil alunos que participaram do programa em 18 estados e no Distrito Federal, o Cidadão Digital também impactou 61 mil educadores, que acompanharam o programa com os estudantes.

    Em 2021, todos os conteúdos produzidos em 2020 continuarão disponíveis para download e farão parte da formação dos jovens. Além do Guia Cidadão Digital, cartilha que aborda os temas centrais do programa e traz sugestões de atividades, há ainda conteúdos audiovisuais, como as quatro videoaulas conduzidas por embaixadores do programa, disponíveis no Facebook e no Instagram da Safernet. O guia está disponível para download no site www.cidadaodigital.org.br, também em versões em espanhol e em inglês.

  • PL 2630/2020 - Nota conjunta sobre novo relatório à luz dos direitos da Infância

    / Institucional / / Por admin / 10 meses 2 semanas atrás
    O relatório sobre o Projeto de Lei 2630/2020, divulgado no fim da tarde desta quarta-feira, menos de 24 horas antes do horário marcado para sua votação pelo Senado Federal, pode provocar um impacto desastroso e amplo para milhões de brasileiros e uma ameaça aos direitos de crianças e adolescentes, afetando significativamente o acesso à rede e direitos fundamentais como a liberdade de expressão e a privacidade dos cidadãos e cidadãs na Internet.

    O relatório sobre o Projeto de Lei 2630/2020, divulgado no fim da tarde desta quarta-feira, menos de 24 horas antes do horário marcado para sua votação pelo Senado Federal, pode provocar um impacto desastroso e amplo para milhões de brasileiros e uma ameaça aos direitos de crianças e adolescentes, afetando significativamente o acesso à rede e direitos fundamentais como a liberdade de expressão e a privacidade dos cidadãos e cidadãs na Internet.

    Mas é especialmente alarmante o impacto negativo que o PL 2630/2020 pode trazer na garantia de proteção das nossas crianças e adolescentes. Segundo dados da pesquisa TIC Kids Online (CETIC.br/CGI.br), 89% da população de 9 a 17 anos é usuária de Internet no Brasil, o que equivale a 24,3 milhões de crianças e adolescentes conectados. As entidades representativas, instituições acadêmicas, organizações da sociedade civil, empresas e cidadãos que subscrevem esta nota e que defendem o direito a uma infância protegida, sendo contrárias ao uso da Internet como ferramenta de violação de direitos de crianças e adolescentes, vêem com preocupação a votação de um relatório que não foi debatido com o conjunto dos senadores, nem com a sociedade.

    Nesta nova versão vemos com especial preocupação a instauração de um sistema de revisão de conteúdo burocrático, por meio do artigo 12, que impede as plataformas de aplicar imediatamente políticas de remoção sobre conteúdos ilícitos e que podem causar danos graves às vítimas, inclusive em casos urgentes e sensíveis como conteúdo de exploração sexual infantil ou de incitação ao comportamento de suicídio e automutilação, para citar apenas alguns, entre muitos outros exemplos preocupantes, que poderiam ser trazidos. Tal regime não existe em lugar nenhum do mundo, e colide frontalmente com legislação já em vigor como, por exemplo, a Lei nº 13.968, de 2019 que visa coibir induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação e o Estatuto da Criança e do Adolescente, principalmente no que tange à previsão de combate à produção, venda e distribuição de pornografia infantil (compromisso firmado no protocolo facultativo à Convenção, promulgado pelo Brasil através do Decreto 5.007/2004), bem como criminalizar a aquisição e a posse de tal material e outras condutas relacionadas à pedofilia na internet. Não podemos permitir que o PL 2630/2020 implemente tamanho retrocesso na luta pelo combate à exploração de crianças e adolescentes online prejudicando a garantia de um ambiente online seguro para nossos filhos, filhas, netos, sobrinhos, e jovens.

    Além disso, nesta nova versão do relatório, o PL 2630/2020 tornou-se um projeto de coleta massiva de dados das pessoas, pondo em risco a privacidade e segurança de milhões de cidadãos. A convenção da ONU sobre os Direitos da Criança, ratificada pelo Brasil em 24 de setembro de 1990, garante às crianças e adolescentes o direito à privacidade e à liberdade de expressão. Sem tempo hábil para debate e amadurecimento, o texto pode resultar numa lei que instaure um novo marco regulatório de Internet baseado na identificação massiva e na vigilância e inviabilize o uso das redes sociais e de aplicativos de comunicação.

    É de fundamental importância a instauração de um debate aprofundado da matéria, de maneira a preservar direitos garantidos de crianças e adolescentes e assegurar avanços já constituídos em matéria de remoção de conteúdo nocivo e criminoso contra crianças e adolescentes. Em função disso, pedimos que o Projeto de Lei 2630/2020, que Institui a Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet, seja retirado da pauta do Senado a fim de que seja amplamente debatido, e que um novo relatório, mais consensual e equilibrado, seja proposto.

    Assinam essa nota:

    SaferNet Brasil

    International Centre for Missing & Exploited Children

    ASEC Brasil - Associação pela Saúde Emocional de Crianças

    Rede Não Bata, Eduque

    Instituto Alana

    Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio

    Instituto Liberta

    Instituto WCF - Brasil

    Instituto da Infancia- IFAN

    Rede ESSE Mundo Digital

    Plan international Brasil

    TecKids

    Recode

    Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (ABEPS)

    Instituto Internacional para o Desenvolvimento da Cidadania - IIDAC

    ANDI Comunicação e Direitos

    Canal Proteja

    Terre des Hommes Alemanha

     

    Adesões individuais:

    Katia de Mello Dantas

    Thiago Tavares 

    Juliana Fleury

    Karen Scavacini

    Celina Andrade Pereira

    Itamar Gonçalves 

    Rodrigo Nejm

    Denise Medeiros Bastos

    Fernanda Aidar Iunes 

    Roberta Gazola Rivellino

    Eva Cristina Dengler

    Pedro Hartung

    Carolina Andrade

    Miriam Pragita

    Irene Rizzini

    Cátula Pelisoli

    Heloisa Oliveira

     

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  • Como a pandemia vem reforçando a importância da educação digital

    / Institucional / / Por julianaalencar / 1 ano 4 semanas atrás
    Em tempos de incerteza, a educação se revela ainda mais necessária e urgente. E a pandemia do coronavírus tem sido implacável ao expor em muitos de nós a falta de informação e o despreparo para lidar com temas relacionados ao uso seguro da internet, sobretudo por crianças e adolescentes.

    Em tempos de incerteza, a educação se revela ainda mais necessária e urgente. E a pandemia do coronavírus tem sido implacável ao expor em muitos de nós a falta de informação e o despreparo para lidar com temas relacionados ao uso seguro da internet, sobretudo por crianças e adolescentes.

    Longe fisicamente da escola e dos amigos, o distanciamento social é compensado por um intensa vida online, marcada pelo aumento repentino no tempo de uso de aparelhos conectados à internet. A COVID-19 está transformando também a internet. Mas será que estamos preparados para lidar com os  riscos e mediar as interações dessa vida ultraconectada? Será que as crianças e adolescentes têm ferramentas para fazerem um uso positivo e crítico das redes?

    Em 2018, a Safernet Brasil, com o apoio do Google, lançou o novo curso EAD 'Educando para Boas Escolhas Online'. Uma iniciativa para democratizar o acesso à informação sobre segurança e cidadania digital para educadores da rede pública de todo o país e prepará-los para abordar de forma assertiva e consciente questões relacionadas a esses temas no ambiente escolar.  Desenvolvido por uma equipe multidisciplinar, o projeto, totalmente alinhado a Base Nacional Comum Curricular, é motivo de muito orgulho para todos. De forma didática, ele apresenta ao educador atividades para incluir no projeto pedagógico e fazer o debate contínuo sobre cuidados no uso da internet, desinformação, privacidade, discriminação e saúde emocional no contexto digital, ajudando as escolas e implementarem o previsto no Art. 26 do Marco civil da internet

    Em dois anos, conseguimos, em parceria com secretarias de educação do país,  formar mais de 24 mil educadores da rede pública de ensino, em 10 Estados do Brasil e no Distrito Federal. Atividades que beneficiaram mais de 2 milhões de pessoas indiretamente nas ações derivadas. Em abril de 2020, serão mais 10 mil vagas para a formação gratuita, frutos de novas parcerias com as secretarias de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e das cidades de Fortaleza e Belo Horizonte.

    Devido à crise do coronavírus, a Safernet também disponibilizou mais 1.000 vagas para educadores de estados e municípios que não estão com parcerias ativas e para pais e responsáveis que buscam informações qualificadas sobre como mediar e desenvolver o uso crítico da internet nas crianças e adolescentes no cenário atual, em que a maior parte das nossas interações estão digitalizadas por causa COVID-19.

     Nosso objetivo é que cada vez mais pessoas tenham acesso ao projeto. Precisamos multiplicar o conhecimento sobre cidadania digital e contamos com você.

    Se você é educador e quer participar do EAD, confirma no mapa do site se o seu Estado ou município está com turmas abertas. Se não tiver, entre em contato com o diretor regional de ensino da sua região.

    Se você é gestor público e quer levar o projeto para o seu Estado ou município, fale com a gente.

    No ano em que completamos 15 anos, a SaferNet Brasil reafirma seu compromisso de ajudar a transformar a internet, por meuo de ações de conscientização, campanhas e projetos educativos, em um ambiente seguro e cidadão para todos.

     

    Equipe SaferNet Brasil

     

    SOBRE NÓS

    A SaferNet é a ONG referência na promoção e defesa dos direitos humanos na Internet no Brasil. Atua na educação e orientação de crianças, adolescentes, jovens, pais e educadores sobre uso responsável e seguro da Internet. Criou e coordena a Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos e o Helpline.br, canal de ajuda online que orienta vítimas de violações de direitos na rede. Desde 2009 coordena o comitê organizador do Dia Mundial da Internet Segura no Brasil. Mais informações: http://www.safernet.org.br/.