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  • SaferNet apresenta à ANPD pesquisa inédita de quase 15 mil endereços do Telegram e pede investigação

    / / Crimes na Web / Por guilherme / 3 semanas 1 dia atrás


    São Paulo, Brasília e Salvador, 14 de Agosto de 2026
    - A SaferNet Brasil protocolou ontem (13 de Agosto) na Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) representação elaborada a partir dos resultados de pesquisa inédita sobre 14.969 endereços únicos do Telegram denunciados ao Canal de Denúncias (www.denuncie.org.br) entre 2017 e 2026, trata-se da íntegra do acervo de denúncias contra a plataforma acumulado pela instituição em quase uma década.

    É o terceiro levantamento da série iniciada em outubro de 2024, quando a SaferNet revelou que mais de 1,25 milhão de usuários do Telegram estavam em grupos que vendiam imagens de abuso sexual infantil, e continuada em fevereiro de 2025, quando nova análise verificou o agravamento de todos os indicadores. Somados os dois semestres de 2024, foram detectados 2,65 milhões de usuários em grupos e canais com esse tipo de conteúdo.

    Resultados principais

    Os principais resultados, obtidos através de consultas à API do próprio Telegram:

    • Dos 14.969 endereços únicos verificados, 8.160 (54,5%) já estavam inexistentes ou removidos e 4.851 (32,4%) eram convites revogados;
    • 1.958 endereços (13,1%) permaneciam ativos e públicos nas datas da verificação, conduzidas neste mês - entre eles 435 convites para grupos privados ainda válidos;
    • 1.093 endereços ativos apresentam indícios de material de violência sexual contra criança ou adolescente no título e/ou no texto da denúncia: 518 perfis de usuários e robôs, 256 convites ativos, 192 canais e 127 grupos;
    • 22 links potencialmente associados a grupos e canais de automutilação e incitação ao suicídio;
    • A análise dos links publicados pelos canais ativos revelou uma rede em expansão: 468 canais do Telegram até então desconhecidos da base de denúncias foram descobertos a partir dos que sobreviveram;
    • A distribuição temporal mostra crescimento acentuado a partir de 2022 e pico histórico de denúncias em julho de 2026 - sinal de que o fenômeno documentado desde 2024 persiste e se agrava.

    Fig 01 - Painel forense com as características das URLs denunciadas à SaferNet Brasil  consultadas através da API pública do Telegram.

    A relação completa dos endereços ativos foi entregue às autoridades para fins de investigação. A verificação empregou exclusivamente a camada pública de pré-visualização da plataforma (domínio t.me)  com consultas determinísticas e autocontidas via API (saiba como funciona) sem autenticação, sem ingresso em grupos e sem acesso a mensagens, mídia ou dados de participantes.  A metodologia completa está documentada em relatório técnico que acompanha a representação protocolada na ANPD.

    Para Thiago Tavares, presidente da Safernet Brasil, o  “Telegram não é apenas uma plataforma onde o abuso acontece, mas uma infraestrutura que, por sua arquitetura técnica, seu modelo de monetização e sua postura de moderação, estrutura e viabiliza a produção, a distribuição e a comercialização de material de violência sexual contra crianças e adolescentes em escala industrial".

    Um novo cenário legal no Brasil

    Desde o último levantamento, em fevereiro de 2025, o quadro jurídico brasileiro mudou profundamente. Entrou em vigor, em março de 2026, o ECA Digital (Lei nº 15.211/2025), que obriga as plataformas a prevenir riscos, remover e comunicar às autoridades os conteúdos de aparente exploração e abuso sexual, e atender a notificações extrajudiciais, sob pena de multa de até R$ 50 milhões por infração. A ANPD foi designada autoridade fiscalizadora, e os Decretos nº 12.975 e 12.976/2026 atualizaram a regulamentação do Marco Civil da Internet, positivando a responsabilização das plataformas por falha sistêmica na indisponibilização de conteúdos criminosos graves, na esteira da tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal nos Temas 987 e 533, transitada em julgado em junho de 2026.

    Na esfera penal, a Lei nº 15.487, de 6 de agosto de 2026, elevou as penas dos crimes de violência sexual contra crianças e adolescentes no ambiente digital - alcançando expressamente material gerado por inteligência artificial - e criminalizou quem cria, administra, hospeda ou modera ambientes cibernéticos destinados a esse material, crimes agora classificados como hediondos.

    Com base nesse novo arcabouço, a representação apresentada à ANPD pede a instauração de procedimento de fiscalização (ou a juntada ao procedimento já em curso na Agência), a apuração de falha sistêmica, e a verificação dos deveres de comunicação e transparência do Telegram, nos termos do ECA Digital e de seu regulamento.

    “Em dois anos, publicamos dois relatórios, entregamos os dados às autoridades brasileiras e estrangeiras e vimos todos os indicadores pioraram. O que mudou agora é o quadro legal: com o ECA Digital, os novos decretos do Marco Civil e a decisão definitiva do Supremo, a omissão sistemática do Telegram passou a ter consequências jurídicas objetivas no Brasil", afirma o presidente da SaferNet Brasil, Thiago Tavares.

    O que o Telegram bane × o que reporta aos reguladores europeus

    A representação é acompanhada de um painel público de dados construído sobre os registros oficiais da DSA Transparency Database, da Comissão Europeia, cruzados com os números que o próprio Telegram autodeclara. O contraste é eloquente: no período em que manteve reporte ativo à base europeia, a plataforma declarou 791.561 banimentos globais de comunidades por material de abuso sexual infantil, mas enviou apenas 5.699 decisões nessa categoria ao regulador Europeu - cerca de 139 banimentos para cada decisão reportada. 

    Houve ainda 322 dias iniciais e um apagão de 141 dias sem o envio de um único relatório, e, em toda a história da base, nenhuma notificação de entidade de proteção à infância aparece como origem de decisão da plataforma, embora o Telegram declare ter bloqueado 73.827 conteúdos a partir de denúncias de quatro organizações do setor.

    O padrão não é um problema apenas brasileiro: o Telegram está sob investigação da Ofcom, no Reino Unido, por suspeita de descumprimento dos deveres de impedir o compartilhamento de material de abuso sexual infantil, e responde a ação de penalidade civil da eSafety Commissioner, na Austrália, por falhas sistêmicas na remoção de material ilícito.

    Robôs de nudificação no Telegram: o estudo de caso do relatório "Rostos Fabricados, Danos Reais”

    A diretora da SaferNet Brasil, Juliana Cunha,  apresenta hoje,  às 16h, no evento Trust is Earned da BBC Brasil e do BBC World Service, que acontece no auditório do Centro Brasileiro Britânico em São Paulo, um dos cinco estudos de caso do relatório de outra pesquisa inédita da SaferNet Brasil, "Rostos Fabricados, Danos Reais", financiada pelo fundo Safe Online, que investiga a o panorama dos deepfakes sexuais entre os jovens brasileiros e cuja íntegra será lançada no Brasil em breve. O capítulo desta pesquisa dedicado ao Telegram documenta por que a plataforma se tornou o ambiente preferencial dos robôs de nudificação - sistemas de IA que "removem" digitalmente as roupas de fotografias comuns ou trocam o rosto da vítima em cenas pornográficas, sem exigir qualquer conhecimento técnico do usuário.

    Na amostra analisada, os robôs de nudificação no Telegram geram, mediante pagamento, deepfakes de crianças, adolescentes e adultos. O estudo disseca a engenharia financeira que sustenta esse mercado: os conteúdos e ferramentas são vendidos por assinaturas recorrentes de baixo valor (até R$ 50 mensais no Brasil), pagas em criptomoedas e Telegram Stars, a moeda digital interna do Telegram, conversível pela blockchain TON que opera na  plataforma. 

    O Telegram retém comissão de 15% a 30% sobre cada saque de Stars, lucrando indiretamente com as transações desses operadores, e um mercado paralelo de sites de recarga permite abastecer contas apenas com o @username, sem verificação de identidade, ofuscando a origem do dinheiro e onerando as autoridades de investigação. 

    Para Juliana Cunha, diretora na SaferNet e coordenadora da pesquisa sobre deepfakes sexuais, as “mecânicas de gratuidade inicial, créditos por check-in diário e gamificação dos bots de nudificação do Telegram criam uma porta de entrada desenhada sob medida para o público jovem".

    As evidências brasileiras convergem com as internacionais

    Relatório da organização europeia AI Forensics (abril de 2026) documentou ecossistema semelhante que alcançou cerca de 52 mil pessoas na Itália e na Espanha, com grupos removidos e recriados com o mesmo nome em questão de horas; e a Internet Watch Foundation (IWF) registrou aumento de 26.385% nos vídeos realistas de abuso sexual infantil gerados por IA entre 2024 e 2025. 

    No Dia da Internet Segura de 2026, a SaferNet Brasil e a rede INHOPE anunciaram a declaração global "Unifying Voices Worldwide: No to Nudify", subscrita pela por 107 organizações de proteção à infância de todo o mundo,  entre elas INTERPOL, NCMEC, ICMEC, INHOPE, Child Helpline Internacional, IWF, WeProtect, Thorn, ECPAT, Plan International e NSPCC.  A declaração conclama os governos a responsabilizar civil e penalmente quem cria, distribui e lucra com a nudificação, e as empresas de tecnologia a "desmantelar a economia do abuso, remover as vias de monetização e banir apps e modelos desenvolvidos unicamente com o propósito de nudificar pessoas", interrompendo o fluxo financeiro das redes criminosas que cometem crimes graves nos ambientes digitais. 

    A Lei nº 15.487/2026, sancionada na semana passada, passou a tipificar expressamente o material de violência sexual com crianças e adolescentes gerado por inteligência artificial e a criminalizar quem administra ou hospeda ambientes digitais destinados a essa finalidade.

     

    Como denunciar

    Quem encontrar conteúdo de abuso ou exploração sexual infantil na internet não deve acessar, salvar ou compartilhar o material: a orientação é denunciar imediatamente, de forma anônima, rápida e segura no formulário disponível em www.denuncie.org.br. As denúncias são analisadas diariamente por técnicos do MPF nos termos do acordo de cooperação assinado com a SaferNet Brasil e vigente desde 2017.

     

    Sobre a SaferNet Brasil

    A ONG SaferNet Brasil, fundada em 2005, tem 20 anos de atuação como referência na promoção e defesa dos Direitos Humanos na Internet. Com uma abordagem multissetorial, a organização colabora com governos, setor privado, academia e sociedade civil para construir uma internet mais segura e positiva. A instituição mantém  Canal Anônimo de Denúncias de Crimes Cibernéticos (denuncie.org.br), em convênio com o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Ministérios Públicos estaduais; o Canal Escola Segura (gov.br/escolasegura), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública; e o Canal de Ajuda (canaldeajuda.org.br), para acolhimento de vítimas de violência online. Além disso, desenvolve projetos e campanhas de educação e conscientização para jovens, pais e responsáveis e educadores, a exemplo do Projeto da Disciplina de Cidadania Digital (cidadaniadigital.org.br), que apoia diretamente escolas da rede pública. A ONG também integra a rede internacional Insafe-Inhope, que reúne canais de denúncias e de ajuda contra a violência online diferentes países.

    Contato para imprensa: imprensa@safernet.org.br

    Publicado em 14/08/2026

  • Safernet Brasil encaminha às autoridades documentação técnica sobre o Discord

    Aliciamento on-line / Institucional / Crimes na Web / Por guilherme / 3 semanas 4 dias atrás

    Salvador/BA, 11/08/2026 - A SaferNet Brasil informa que encaminhou, por iniciativa própria, às autoridades responsáveis pelas investigações em curso a documentação técnica produzida pela instituição sobre a atuação de redes criminosas na plataforma Discord.

    O material reúne registros, evidências, datasets e análises técnicas elaborados pela equipe da SaferNet a partir do monitoramento de comunidades dedicadas ao aliciamento de crianças e adolescentes, à disseminação de imagens de abuso e exploração sexual infantil e ao incentivo à automutilação e ao suicídio, práticas expostas em reportagem da BBC News Brasil e relacionadas à morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí (MS), em julho.

    Para preservar o sigilo e a efetividade das investigações, a SaferNet não divulgará o conteúdo da documentação encaminhada aos órgãos destinatários.

    Paralelamente, a SaferNet publicou estudo técnico baseado nos registros oficiais reportados pelo próprio Discord à DSA Transparency Database, da Comissão Europeia, cujos microdados documentam mais de 25,7 milhões de decisões de moderação. Dentre as categorias existentes na base de dados, proteção de crianças e adolescentes é dominante (41%, ou 10,6 milhões de decisões) e o material de abuso sexual infantil é a violação específica mais citada. O painel de dados e a nota técnica e metodológica estão publicamente disponíveis.

    O estudo evidencia ainda uma inflexão relevante na série histórica: a partir de setembro de 2025, o volume de decisões de moderação reportadas pelo Discord na Europa cai 65% em relação ao patamar dos meses anteriores, e a participação da categoria de proteção de crianças e adolescentes, até então dominante no mix mensal de violações, despenca. A inflexão coincide temporalmente com as demissões anunciadas pela empresa, que em rodadas anteriores já haviam atingido equipes de confiança e segurança (Trust & Safety), e levanta sérias questões sobre a capacidade de moderação da plataforma justamente em sua área mais crítica.

    Os dados da própria SaferNet Brasil reforçam esse quadro. Entre janeiro de 2017 e julho de 2026, o canal de denúncias da instituição recebeu e processou 2.059 URLs do Discord. A série é fortemente ascendente: 2025 concentrou 520 registros - quase o triplo de 2024 - enquanto os sete primeiros meses de 2026 já somam 406 denúncias, com o maior valor mensal de toda a série registrado em janeiro de 2026 (91) e o segundo maior em dezembro de 2025 (77).

     

     

    Desde 2023, a SaferNet vem alertando publicamente para a atuação dessas redes no Discord e para as falhas sistêmicas na moderação de conteúdo, ausência de features básicas de segurança e equipes locais de Trust & Safety.

    "O caso de Naviraí não é um episódio isolado, mas o desfecho trágico de um padrão que documentamos e denunciamos há anos. A proteção de crianças e adolescentes na Internet não pode depender da boa vontade das plataformas. O ECA Digital (Lei 15.211/2026) impõe deveres claros de prevenção, mitigação de riscos, aferição de idade e cooperação com as autoridades, e seu descumprimento precisa gerar responsabilização", afirma Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil.

    A instituição reafirma seu compromisso com a proteção integral de crianças e adolescentes no ambiente digital e permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

     

    Como falar com segurança sobre suicídio em casa e na escola
    Falar sobre suicídio de forma responsável salva vidas. A SaferNet recomenda que a cobertura jornalística e as conversas sobre o tema evitem a descrição de métodos, locais e detalhes do caso; não reduzam o suicídio a uma explicação única nem o apresentem como uma resposta simples para situações de sofrimento; usem linguagem cuidadosa e não sensacionalista; acolhendo sem julgamentos e indicando canais de ajuda e serviços de saúde onde é possível obter suporte especializado. Essas e outras orientações estão nas cartilhas de prevenção do suicídio na internet publicadas pelo Instituto Vita Alere em parceria com a SaferNet Brasil: cartilha para adolescentes e cartilha para pais e educadores.

     

    Recomendações da OMS para a cobertura da imprensa
    A Organização Mundial da Saúde (OMS) editou, em 2000, um manual de prevenção ao suicídio com várias recomendações claras para a abordagem da mídia em casos de ocorrência de suicídio. Checar as fontes da informação, esclarecer de forma responsável a população, evitar abordagens sensacionalistas e focar em cuidados e prevenção é o que se espera do jornalismo profissional. O manual está disponível neste endereço.

     

    Canais de denúncia e ajuda
    Crimes contra os direitos humanos na internet podem ser denunciados, de forma anônima, no Canal de Denúncias: denuncie.org.br. Vítimas e familiares podem buscar orientação gratuita no canal de ajuda da SaferNet: canaldeajuda.org.br. Quem estiver passando por sofrimento emocional pode ligar gratuitamente para o CVV - Disque 188 (24 horas) ou acessar cvv.org.br.

     

    Sobre a SaferNet Brasil
    A ONG SaferNet Brasil, fundada em 2005, tem 20 anos de atuação como referência na promoção e defesa dos Direitos Humanos na Internet. Com uma abordagem multissetorial, a organização colabora com governos, setor privado, academia e sociedade civil para construir uma internet mais segura e positiva. A instituição mantém a Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos (denuncie.org.br), em convênio com o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Ministérios Públicos estaduais; o Canal Escola Segura (gov.br/escolasegura), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública; e o Canal de Ajuda (canaldeajuda.org.br), para acolhimento de vítimas de violência online. Além disso, desenvolve projetos e campanhas de educação e conscientização para jovens, pais e responsáveis e educadores, a exemplo do Projeto da Disciplina de Cidadania Digital (cidadaniadigital.org.br), que apoia diretamente escolas da rede pública. A ONG também integra a rede internacional Insafe-Inhope, que reúne canais de denúncias e de ajuda contra a violência online diferentes países.

     

    Contato para imprensa: imprensa@safernet.org.br

    Publicado em 11/08/2026

     

  • Educação digital que transforma: o que aprendemos com os relatos reais de professores de todo o Brasil

    / / Comportamento Online / Por guilherme / 3 semanas 3 dias atrás

    Falar sobre inteligência artificial, cyberbullying, privacidade, fake news e tempo de tela na teoria é uma coisa. Transformar esses temas em projetos vivos, envolventes e que dialoguem com a realidade de crianças e adolescentes na sala de aula é o verdadeiro desafio da educação contemporânea.

    Para mostrar como a teoria se converte em prática transformadora, a SaferNet Brasil, em parceria com o Governo do Reino Unido (no âmbito do Programa de Acesso Digital), promoveu um encontro virtual de dois dias reunindo educadores da rede pública de sete estados brasileiros.

    Mais do que uma troca metodológica, o evento demonstrou a força do projeto Disciplina de Cidadania Digital, que já alcança mais de 1.000 escolas, mobilizou 1.250 professores aplicadores, impactou mais de 145 mil estudantes e conta com mais de 50 mil educadores no curso de formação do ambiente AVAMEC/MEC.

    Abaixo, reunimos os momentos mais inspiradores, as metodologias aplicadas e as vozes dos professores que estão liderando essa transformação nas escolas no ano em que a BNCC Computação e a Educação Digital e Midiática se tornaram obrigatórias para todas as escolas brasileiras.

    Dia 1: da curiosidade infantil ao protagonismo técnico

    Sob a moderação da psicóloga Bianca Orrico (SaferNet Brasil), o primeiro dia de lives destacou como a cidadania digital perpassa todas as etapas da educação básica — dos anos iniciais ao ensino técnico —, provando que o debate sobre o mundo virtual começa com o diálogo e com a escuta atenta.

    1. Parintins (AM) — a curiosidade como investigação na ilha Tupinambarana

    Profa. Mary Sônia Dutra de Alencar

    A professora Mary Sônia Dutra de Alencar, da Escola Estadual Ministro Waldemar Pedrosa, mostrou como os temas digitais chegam às crianças dos anos iniciais antes mesmo do uso de computadores na escola. A partir de conversas cotidianas e boatos trazidos pelos alunos, ela estruturou uma sequência didática focada em ensinar "como pensar" diante da informação. As crianças produziram poesias, desenhos e até uma paródia no ritmo da toada do Boi-Bumbá.

    "Uma das crianças começa: 'professora, isso é verdade?'. E foi assim que eu percebi que a cidadania digital (...) estava entrando na sala de aula não por uma tela, mas por uma pergunta. (...) Em vez de simplesmente eu responder se era verdade ou se não era verdade (...), percebi que eu poderia transformar aquelas situações em oportunidades de aprendizagens. Eu poderia ensinar as crianças não apenas o que pensar sobre aquela informação, mas como pensar diante delas."
    Profa. Mary Sônia

    2. Campos dos Goytacazes (RJ) — a "Caixa da escuta" contra o cyberbullying

    Profa. Bruna Fernandes Gimenes

    Trabalhando com turmas da educação infantil ao 9º ano na Escola Municipal Iniciação Agrícola José Francisco Mota Vasconcelos, a professora Bruna Fernandes Gimenes abordou os perigos do cyberbullying, a linguagem secreta dos emojis e a segurança em jogos online. Para dar vazão aos sentimentos e medos dos alunos que tinham vergonha de expor situações de violência online, ela criou a Caixa da escuta na biblioteca escolar.

    "O digital não é uma dimensão paralela. Muitas vezes eles [estudantes] enxergam que o que acontece nos jogos, nas redes sociais, em grupos de mensagens é algo que fica apenas ali na tela. E a gente queria mostrar que não, que essas duas realidades estão ligadas o tempo todo. (...) O que você falar lá na tela (...) vai causar consequências reais. (...) Uma mensagem enviada por uma tela provoca dor real. Uma fotografia compartilhada gera exposição real. (...) É a importância da gente trabalhar essa educação digital com eles e tratar o ambiente virtual com a mesma gravidade (...) do pátio da escola."
    Profa. Bruna Fernandes Gimenes

    3. Tuparetama (PE) — do consumo passivo à autoria e edição crítica

    Profa. Silvânia Maria da Silva Amorim Cruz

    No sertão de Pernambuco, na Escola de Referência em Ensino Médio Cônego Olímpio Torres, a professora de língua portuguesa Silvânia Maria da Silva Amorim Cruz (em parceria com a profa. Juliana Cruz) desafiou estudantes do ensino médio a agirem como cientistas e editores. Usando plataformas como Padlet, pesquisas no Google Acadêmico e checagem de fontes, os estudantes analisaram a cultura do cancelamento, os vícios em jogos e a inteligência artificial, utilizando ferramentas de IA para auditarem os próprios textos contra o plágio.

    "Se nós podemos investigar vírus, criar respiradores, então nós também podemos investigar a nossa vida online. (...) Ficamos felizes em perceber que alguns desses alunos saíram desse patamar de consumidor passivo e conseguiram de fato indícios de mudança, como sair do passivo para o curador crítico (...) de copiar e colar para verificar, auditar e editar."
    Profa. Silvânia Maria Cruz

    4. Bayeux (PB) — responsabilidade no código e nas redes

    Prof. José Carlos Alexandre Soares

    O professor José Carlos Alexandre Soares, da Escola Cidadã Integral Técnica Antônio Gomes, levou a cidadania digital para a formação técnica em informática. Ele abordou temas como viés algorítmico, responsabilidade legal de administradores de grupos de mensagem e a recuperação de dados excluídos para demonstrar a permanência das pegadas digitais. Inspirados pelas aulas, os alunos tornaram-se multiplicadores do conhecimento em escolas do ensino fundamental.

    "Essa experiência mostrou que a educação digital (...) não pode ser confundida em meramente ensino de máquina, ensino de computador (...). Precisamos formar estudantes capazes de: usar, compreender, questionar, criar, participar e transformar. E principalmente compreender que toda tecnologia carrega uma consequência humana, social e ética (...) Por trás de toda tela existe uma pessoa, por trás de cada lado existe um direito, por trás de cada publicação existe uma responsabilidade."
    Prof. José Carlos Alexandre Soares

    Dia 2: autonomia, pensamento crítico e conexão com o território

    Com moderação de Isabella Ferro (SaferNet Brasil), o segundo dia aprofundou estratégias transversais, dinâmicas desplugadas e o letramento midiático aplicado a diferentes realidades socioeconômicas, incluindo a educação do campo e a era da inteligência artificial.

    5. Jacareí (SP) — "Curte, comenta e respeita"

    Profa. Biana Silva Nascimento

    A professora de história e projeto de vida Biana Silva Nascimento, da Escola Estadual João Feliciano, compartilhou sua experiência com a eletiva "Curte, comenta e respeita" para o ensino fundamental II. Utilizando simulação de estudos de caso reais (como o impacto de jogos de apostas online/Tigrinho e golpes em idosos), a professora enfatizou o papel preventivo da escola e o uso de metodologias desplugadas.

    "A gente pensa que os nossos alunos, nossas crianças e adolescentes (...) sabem tudo sobre o mundo digital e na verdade tem algumas coisas que eles ainda estão conhecendo e precisam de nós adultos para poder trazer essas informações (...). O trabalho tem que ser um trabalho preventivo. (...) O professor que ainda não deu a aula dessa eletiva coloque para você: 'eu não preciso dominar tudo, eu vou aprender'."
    Profa. Biana Silva Nascimento

    6. Rio de Janeiro (RJ) — o "protocolo antibullying" e o combate às fake news

    Profa. Cláudia dos Santos Lagame Lobo

    No Colégio Estadual Afonso Pena, localizado no bairro do Andaraí, a professora de história Cláudia dos Santos Lagame Lobo integrou a cidadania digital ao itinerário formativo. Ela utilizou o infográfico "Acabar com o bullying #ÉDaMinhaConta" e a dinâmica "Eu já, eu nunca, eu vou", incentivando os estudantes a assinarem um compromisso pessoal de não serem plateia para a violência online.

    "Eu entendo a disciplina de cidadania digital como um manual de sobrevivência no mundo digital (...). Eu sempre falo para os alunos: 'sem plateia não há bullying, porque a pessoa que pratica o bullying quer a plateia (...), quer quem apoia, quer quem aplauda aquilo que ela tá fazendo. Se você não é plateia, você tá fazendo com que aquela pessoa pare'."
    Profa. Cláudia dos Santos Lagame Lobo

    7. Brejo do Cruz (PB) — dilemas éticos, fanzines e roleplay

    Profa. Débora Araújo de Medeiros

    A professora de filosofia e sociologia Débora Araújo de Medeiros (Escola Cidadã Integral Técnica Professor José Olímpio Maia) utilizou o pensamento crítico filosófico para analisar os limites do uso do celular e os perigos da exposição íntima. Através da criação de fanzines (revistas artesanais) e de dinâmicas de roleplay (encenação de dilemas virtuais), os alunos do 3º ano atuaram como multiplicadores do debate para as demais turmas.

    "Você faria isso com alguém que você ama? (...) Eu parto sempre desse pressuposto da empatia, dessa consciência, levar o ser humano a uma consciência não só presencial, mas principalmente digital e virtual. (...) A gente não sabe tudo de cidadania digital, mas a gente vai atrás (...) e vai trazendo esses aprendizados, principalmente trazendo o pensamento crítico para dentro da escola."
    Profa. Débora Araújo de Medeiros

    8. João Pessoa (PB) — "Vozes digitais" e o combate ao rage bait

    Profa. Jéssica Lohayne Gonzaga da Silva Machado

    Trabalhando com turmas de 3º ano do ensino médio na Escola Cidadã Integral Técnica Professora Maria do Carmo de Miranda, a professora de língua portuguesa Jéssica Lohayne Gonzaga da Silva Machado desenvolveu o projeto "Vozes digitais". Ela trabalhou gêneros textuais contemporâneos, redação para o ENEM focada em inteligência artificial, identificação de estratégias de manipulação (como o rage bait ou "isca de raiva") e organizou um debate fundamentado na comunicação não violenta (CNV).

    "O foco principal dessa formação (...) foi deixar de o estudante ser um sujeito passivo daquelas informações e que ele pudesse se transformar num sujeito ativo e pudesse sim ter, além de criticidade, poder agir de forma ética e responsável no ambiente digital."
    Profa. Jéssica Lohayne Gonzaga da Silva Machado

    9. Seabra (BA) — protótipos comunitários na educação do campo

    Prof. Reginaldo Silva Araújo

    Diretamente da Chapada Diamantina, o professor Reginaldo Silva Araújo apresentou o trabalho desenvolvido no Colégio Estadual do Campo Filinto Justiniano Bastos. Equilibrando atividades plugadas e desplugadas, os estudantes utilizaram os smartphones não apenas para consumo, mas para investigar problemas reais de suas comunidades rurais (como poeira nas estradas e falta de postos de saúde), desenhando no papel protótipos de aplicativos comunitários de impacto social. Ganhador da 2ª edição do Prêmio Cidadania Digital em Ação, o professor Reginaldo aposta na conexão entre o digital e os problemas reais vividos pelos estudantes, que vêm de comunidades rurais e quilombolas.

    "O adolescente percebe que o smartphone na mão dele não serve apenas para consumir um vídeo curto (...), mas é um instrumento potente de participação cidadã (...) para desenhar soluções locais. Ensinar sobre cidadania digital no campo (...) nos mostra que a tecnologia não precisa de telas de última geração para ser debatida de forma profunda. O essencial é o olhar crítico (...) do educador."
    Prof. Reginaldo Silva Araújo

    4 grandes lições da educação digital no Brasil

    O cruzamento desses nove relatos revela aprendizados valiosos para qualquer rede de ensino ou educador que deseja iniciar essa jornada:

    • Não é preciso ser um "expert" em tecnologia: a mediação pedagógica foca na ética, no pensamento crítico e no comportamento humano. A parte técnica pode ser construída coletivamente.
    • O desplugado funciona (e é essencial): rodas de conversa, fanzines, cartazes, teatro de papéis e protótipos em papel são extremamente eficientes para desenvolver competências digitais, independentemente da infraestrutura de conectividade da escola.
    • Prevenção é o único caminho sustentável: tratar o cyberbullying, a desinformação e os riscos da inteligência artificial antes que as crises aconteçam constrói um ambiente escolar mais acolhedor e seguro.
    • O estudante como protagonista multiplicador: quando os jovens compreendem seu papel na rede, eles levam esse aprendizado espontaneamente para seus pares, suas famílias e suas comunidades.

    Como fazer parte dessa rede?

    Se você é professor da rede pública, sua escola também pode implementar essas ações gratuitamente:

    • Curso de formação gratuito no AVAMEC: inscreva-se no curso de formação autoinstrucional "Segurança e cidadania digital em sala de aula" (60h, com certificado pelo MEC no ambiente AVAMEC).
    • Materiais e guias de aula: acesse os cadernos de aula gratuitos e alinhados à BNCC e BNCC Computação, além de recursos prontos em cidadaniadigital.org.br.
    • Prêmio Cidadania Digital em Ação: faça sua inscrição no projeto para receber mentorias, participar de webinars e concorrer ao reconhecimento nacional e a uma viagem para o Dia da Internet Segura 2027 em São Paulo.

    Contato para imprensa: imprensa@safernet.org.br

    Publicado em: 10/08/2026

  • Educação Digital na Prática: Safernet promove lives com relatos reais de professores de todo o Brasil

    / Serviços / Comportamento Online / Por guilherme / 1 mês 1 semana atrás

    Como transformar discussões sobre segurança na internet, Inteligência Artificial, uso consciente de telas, privacidade e ciberbullying em projetos simples, envolventes e aplicáveis ao dia a dia da sala de aula?

    Para responder a essa pergunta com quem vive a realidade escolar na pele, a Safernet Brasil realizará, nos dias 04 e 05 de agosto, às 19h, a série de transmissões ao vivo "Educação digital na prática: compartilhamento de experiências de professores".

    Os dois encontros serão transmitidos abertamente no canal da Safernet Brasil no YouTube e reunirão educadores de escolas públicas das cinco regiões do país para compartilhar projetos bem-sucedidos desenvolvidos no primeiro semestre de 2026. Os professores convidados fazem parte das mais de 1000 escolas públicas que aderiram gratuitamente ao projeto da Projeto da Disciplina de Cidadania Digital, realizado em parceria com o Governo do Reino Unido desde 2021 através do Programa de Acesso Digital.

     

    O que esperar das Lives?

    As lives foram pensadas como uma verdadeira vitrine de inspiração pedagógica para professores, gestores e educadores que desejam levar a cidadania digital para suas turmas, de forma transversal ou integrada a diferentes disciplinas (Linguagens, Humanas, Exatas e mais).

     

    Destaques da programação:

    • Relatos práticos e diretos: apresentações de 15 minutos com foco no que funcionou, nos desafios superados e nas conquistas dos estudantes.
    • Projetos "mão na massa": ideias flexíveis, digitais e desplugadas prontas para inspirar o planejamento do segundo semestre.
    • Conexão a realidade das escolas: exemplos de como os materiais do projeto de Cidadania Digital e os conteúdos do curso no AVAMEC ganham vida nas turmas.
    • Certificado de participação: emitido gratuitamente durante a transmissão ao vivo para enriquecer o portfólio pedagógico dos participantes.

     

    Programação Completa

    • DIA 1: 04 de Agosto (Terça-feira) às 19h (Horário de Brasília): No primeiro dia, conheceremos experiências vindas da Região Norte, Nordeste e Sudeste, abordando abordagens criativas e engajadoras com estudantes. Professores convidados: José Carlos Alexandre Soares — Bayeux (PB), Bruna Fernandes Gimenes — Campos dos Goytacazes (RJ), Mary Sonia de Alencar — Parintins (AM) e Silvânia Maria Cruz — Tuparetama (PE). Moderação: Bianca Orrico (Safernet Brasil). Clique aqui para acessar o link da live do Dia 1

    • DIA 2: 05 de Agosto (Quarta-feira) às 19h (Horário de Brasília): No segundo encontro, mergulharemos em estratégias desenvolvidas por professores de cinco estados diferentes, cobrindo práticas transversais e articulações comunitárias. Professores convidados: Reginaldo Silva Araújo — Seabra (BA), Débora Medeiros — Caicó (RN), Jéssica Lohayne — João Pessoa (PB), Biana Silva Nascimento — Jacareí (SP) e Claudia Lagame Lobo — Rio de Janeiro (RJ). Moderação: Isabella Ferro (Safernet Brasil). Clique aqui para acessar o link da live do Dia 2

     

    Como participar?

    A participação é gratuita e aberta a toda a comunidade escolar. Não é necessário realizar inscrição prévia — basta acessar os links das transmissões no horário do evento e definir os lembretes nos vídeos para não perder nada.

     

    Sobre o projeto

    O projeto Disciplina de Cidadania Digital é uma realização da Safernet Brasil em parceria com o Governo do Reino Unido, com materiais e recursos didáticos gratuitos disponíveis para educadores de todo o Brasil. O curso de formação "Segurança e Cidadania Digital em Sala de Aula" também está disponível na plataforma AVAMEC do Ministério da Educação. Para conhecer os materiais pedagógicos e saber mais sobre o projeto, acesse cidadaniadigital.org.br.

     

    Sobre a SaferNet Brasil

    A ONG SaferNet Brasil, fundada em 2005, tem 20 anos de atuação como referência na promoção e defesa dos Direitos Humanos na Internet. Com uma abordagem multissetorial, a organização colabora com governos, setor privado, academia e sociedade civil para construir uma internet mais segura e positiva. A instituição mantém a Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos (denuncie.org.br), em convênio com o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Ministérios Públicos estaduais; o Canal Escola Segura (gov.br/escolasegura), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública; e o Canal de Ajuda (canaldeajuda.org.br), para acolhimento de vítimas de violência online. Além disso, desenvolve projetos e campanhas de educação e conscientização para jovens, pais e responsáveis e educadores, a exemplo do Projeto da Disciplina de Cidadania Digital (cidadaniadigital.org.br), que apoia diretamente escolas da rede pública. A ONG também integra a rede internacional Insafe-Inhope, que reúne canais de denúncias e de ajuda contra a violência online diferentes países.

     

    Contato para a Imprensa: imprensa@safernet.org.br 

    Publicado em 30/07/2026

  • Safernet Brasil e Secretaria de Educação de Santa Catarina renovam parceria para promover cidadania digital nas escolas

    / Serviços / Comportamento Online / Por guilherme / 1 mês 3 semanas atrás

    A Safernet Brasil e a Secretaria de Educação do Estado de Santa Catarina (SED-SC) formalizaram um novo Acordo de Cooperação Técnica (Nº 2026TN0364) para fortalecer a conscientização de estudantes, professores e gestores da rede pública sobre o uso seguro e responsável da internet. A parceria, celebrada formalmente desde 2019, entra agora em seu quarto acordo consecutivo, garantindo a continuidade das atividades em conjunto até 2028.

    O novo documento, que possui vigência de 24 meses e não envolve transferência de recursos financeiros entre as partes, busca estruturar e expandir uma colaboração que já apresenta resultados expressivos no estado. 

    "No momento em que a Educação Digital e Midiática passa a ser obrigatória nos currículos de todo o país, renovar e ampliar essa parceria com Santa Catarina é um passo fundamental. Nosso objetivo é garantir que os profissionais de educação catarinenses, que já demonstram engajamento com o tema, tenham suporte, formação e recursos pedagógicos necessários para enfrentar esse desafio e promover a cidadania, ética e proteção nos ambientes digitais", avalia Guilherme Alves, gerente de projetos da SaferNet Brasil.

    Desde 2023, mais de 3 mil profissionais de educação catarinenses foram contemplados com o curso "Segurança e Cidadania Digital em Sala de Aula", oferecido pela Safernet no AVAMEC, ambiente de aprendizagem do Ministério da Educação. A formação online tem 60h e busca apoiar educadores na implementação de temas de educação digital nas escolas, de forma integrada às diretrizes curriculares. Além disso, 117 escolas de 84 municípios implementaram materiais pedagógicos da Safernet. As ações integram o projeto gratuito da Disciplina de Cidadania Digital, iniciativa da Safernet apoiada pelo Programa de Acesso Digital da Embaixada do Reino Unido, que desde 2021 já teve adesão de mais de 1000 escolas em todo o país. 

    "Nos primeiros anos da parceria, a rede estadual de ensino de Santa Catarina adotou o Caderno de Cidadania Digital como material de referência para o Componente Eletivo de Cultura Digital. O recurso subsidiou o planejamento pedagógico dos professores, oferecendo orientações, propostas de atividades e estratégias didáticas para promover, junto aos estudantes do Ensino Médio, a reflexão sobre temas relacionados ao uso ético, seguro, crítico e responsável das tecnologias digitais. Atualmente a oferta está alinhada à implementação do Currículo de Educação Digital da rede, no eixo de Cultura Digital” afirma Lauro Roberto Lostada, Coordenador de Tecnologias Educacionais da SED-SC.


    Metas e Plano de Trabalho

    O acordo estabelece um plano de ações estruturado para fortalecer a Educação Digital e Midiática, a Cultura Digital e a Segurança Digital na rede de ensino. As entregas previstas englobam:

    • Formação continuada: Oferta de cursos online para profissionais da educação e para os estudantes da Rede Estadual de Ensino.
    • Recursos pedagógicos: Disponibilização de materiais, prioritariamente digitais, como planos de aula e cartilhas voltados aos educadores.
    • Ações educativas: Realização de palestras, oficinas e aulas, em formato prioritariamente remoto, envolvendo profissionais da educação, estudantes e suas famílias.
    • Mentoria para professores: Suporte remoto destinado aos docentes que ministram componentes curriculares de Educação Digital e Midiática, apoiando diretamente a implementação do Currículo de Educação Digital da rede.
    • Campanhas: Promoção da conscientização sobre o uso seguro das tecnologias digitais em datas relevantes, como o Dia Mundial da Internet Segura.


    Valorização Profissional

    Para os professores e profissionais da rede pública estadual, a iniciativa também representa uma oportunidade de valorização e progressão na carreira. A parceria prevê a emissão de certificados aos cursistas, especialmente para as formações ofertadas via plataforma AVAMEC, cujas horas são válidas para os processos de promoção e ascensão funcional no Quadro de Pessoal do Magistério Público Estadual, em conformidade com a legislação estadual vigente.

    A parceria com a SaferNet permite à rede estadual oferecer aos seus professores uma formação de qualidade, que, além de contribuir para a progressão na carreira, fortalece o desenvolvimento das competências necessárias ao exercício da docência diante da implementação transversal do Currículo de Educação Digital. Nesse contexto, a formação qualifica os profissionais para planejar práticas pedagógicas que articulem as habilidades previstas nos componentes curriculares com aquelas relacionadas ao ensino da Computação, promovendo uma integração coerente entre o currículo e os desafios da educação na cultura digital”, complementa Lauro.


    Sobre a SaferNet Brasil

    A ONG SaferNet Brasil, fundada em 2005, tem 20 anos de atuação como referência na promoção e defesa dos Direitos Humanos na Internet. Com uma abordagem multissetorial, a organização colabora com governos, setor privado, academia e sociedade civil para construir uma internet mais segura e positiva. A instituição mantém a Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos (denuncie.org.br), em convênio com o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Ministérios Públicos estaduais; o Canal Escola Segura (gov.br/escolasegura), em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública; e o Canal de Ajuda (canaldeajuda.org.br), para acolhimento de vítimas de violência online. Além disso, desenvolve projetos e campanhas de educação e conscientização para jovens, pais e responsáveis e educadores, a exemplo do Projeto da Disciplina de Cidadania Digital (cidadaniadigital.org.br), que apoia diretamente escolas da rede pública. A ONG também integra a rede internacional Insafe-Inhope, que reúne canais de denúncia e de ajuda contra a violência online diferentes países.

    Contato para a Imprensa: imprensa@safernet.org.br 

     

    Publicado em 16/07/2026

  • Safernet Brasil e Secretaria de Educação de Pernambuco formalizam parceria para ampliar a cidadania digital em toda a rede estadual de ensino

    / Serviços / Comportamento Online / Por guilherme / 2 meses 4 dias atrás

    A SaferNet Brasil e a Secretaria de Educação de Pernambuco (SEE-PE) formalizaram, no dia 9 de maio, o Acordo de Cooperação Técnica nº 06/2026, que visa disseminar conhecimentos sobre o uso consciente e seguro da internet para os profissionais da educação e estudantes da Rede Estadual de Ensino. A cooperação chega para estruturar e expandir uma colaboração que já apresenta resultados históricos no estado.

    A parceria está alinhada às diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), BNCC Computação e marcos legais como o ECA Digital, o Marco Civil da Internet e a Política Nacional de Educação Digital. O plano de trabalho prevê a oferta de cursos de formação continuada, suporte pedagógico por meio de cadernos de aulas digitais e mentorias diretas para professores que atuam com componentes curriculares voltados à cultura digital.

    “Ampliar a cooperação com a rede pública estadual de Pernambuco no primeiro ano da obrigatoriedade da Educação Digital e Midiática nas escolas brasileiras representa um passo importante para que estes temas sejam ampliados na formação dos professores e dos estudantes”, avalia Guilherme Alves, gerente de projetos da Safernet Brasil.

    “A formalização deste Acordo de Cooperação Técnica com a SaferNet Brasil representa um marco estratégico para a rede estadual de educação, por ser uma organização com expertise e compromisso com a cidadania digital no país. A parceria fortalece as ações da Secretaria na promoção da educação para a segurança digital entre os cerca de 500 mil estudantes matriculados”, afirma Adriana Amorim, Gerente Técnica de Política de Formação de Professores e Coordenação Pedagógica na SEE-PE.

     

    Metas
    O projeto estabelece um plano de trabalho para os próximos 12 meses que inclui:

    • Formação continuada: oferta de 30.000 vagas em cursos online voltados para educadores e para adolescentes e jovens.
    • Recursos pedagógicos: disponibilização de cadernos de aulas estruturados para uso em sala de aula, contemplando temas como bem-estar e saúde emocional; segurança e privacidade; respeito e empatia nas redes; relacionamentos online seguros; educação midiática; e cidadania digital plena.
    • Ações educativas: realização de palestras e oficinas voltadas para toda a comunidade escolar, incluindo as famílias.
    • Mentorias para professores: cadastro e suporte de professores que atuam em componentes curriculares de educação digital e midiática
    • Campanhas: Mobilização para que as escolas da Rede Estadual sensibilizem suas comunidades escolares em torno do Dia Mundial da Internet Segura.

    Parceria de longa data 
    A cooperação entre a SaferNet e a Secretaria de Educação de Pernambuco já é consolidada. Entre 2021 e 2022, Pernambuco foi um dos estados-piloto da implementação da Disciplina de Cidadania Digital, projeto da Safernet apoiado pelo Programa de Acesso Digital da Embaixada do Reino Unido no Brasil, e que após a fase piloto já teve adesão de mais de 1000 escolas em todo o país, beneficiando cerca de 145 mil estudantes em todos os estados brasileiros. Com o novo acordo de cooperação, os recursos pedagógicos e o curso de formação do projeto voltam a ser aplicados na rede estadual de ensino.

    “Ver essa parceria agora em Pernambuco reforça o trabalho da missão diplomática do Reino Unido na região. Apoiado pelo Programa de Acesso Digital da Embaixada Britânica no Brasil desde 2021, o projeto enfatiza a importância de investir, de forma contínua, em uma cultura de cidadania digital desde a base da educação”, afirma Julia Wolff, Gerente do Programa de Acesso Digital da Embaixada Britânica no Brasil.

    Mais recentemente, durante o Dia da Internet Segura 2026, Pernambuco demonstrou sua força de mobilização ao registrar mais de 990 ações realizadas por professores em todo o estado. Esse número contribuiu decisivamente para o recorde nacional de mobilização na data, evidenciando o engajamento prévio dos educadores pernambucanos com a pauta da cidadania digital.

    “Hoje, mais do que preparar nossos jovens para enfrentar os riscos do ambiente virtual, nosso desafio é também desenvolver uma cidadania digital plena, diretamente associada ao uso crítico da tecnologia e ao bem-estar de uma juventude cada vez mais hiperconectada”, afirma a gerente Adriana Amorim (SEE-PE). “Para alcançar esse objetivo, a parceria com a SaferNet abre um canal fundamental de apoio aos processos formativos realizados para nossas equipes técnicas e professores(as), bem como na construção colaborativa de materiais de orientação para os estudantes. Tenho certeza de que, a exemplo do grande sucesso que foi o Dia da Internet Segura em toda a rede, este acordo consolidará caminhos para que cada escola se estruture como um território de acolhimento, criticidade e emancipação digital”, completa ela.

     

    Ampliar os esforços
    Para Guilherme Alves, gerente de projetos da Safernet Brasil, a cooperação ampliará e dará mais visibilidade ao trabalho dos professores nas escolas do estado:

    "A formalização deste acordo com Pernambuco é o reconhecimento de uma parceria que já gera frutos concretos há anos. Ao atingirmos a marca histórica de quase mil ações no estado apenas no último Dia da Internet Segura, ficou claro que os educadores pernambucanos estão na vanguarda da cidadania digital no país. Agora, com o acordo de cooperação, queremos ampliar essa escala de forma estruturada, oferecendo formação robusta e recursos pedagógicos de alta qualidade para que cada escola se torne um território de cidadania, ética e proteção no ambiente virtual."

     

    Sobre a SaferNet Brasil
    A SaferNet é uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, que atua na promoção e defesa dos Direitos Humanos na rede. Referência nacional em cidadania digital, a organização colabora com governos, setor privado e sociedade civil para construir uma internet mais segura e positiva para crianças, jovens e adultos.

     

    Contato para a Imprensa: imprensa@safernet.org.br

    Publicado em 03/07/2026

SaferNet Brasil | CNPJ: 07.837.984/0001-09