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  • SaferNet quer ouvir jovens sobre o uso de IA para criação de imagens sexuais

    / / Crimes na Web / Por marcelo / 2 meses 1 semana atrás

    A SaferNet quer ouvir o que jovens de 16 a 21 anos de todo o Brasil pensam sobre o uso de inteligência artificial para criação de imagens sexuais. A enquete faz parte da pesquisa “Uso indevido de IA generativa: perspectivas sobre riscos e danos centrados em adolescentes”, realizada pela ONG com recursos do fundo Safe Online, gerido pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância). 

    É garantido o anonimato dos participantes da pesquisa que assim desejarem e as respostas farão parte de um relatório para embasar recomendações sobre como prevenir que outros jovens sejam vítimas. 

    Para participar, basta preencher o formulário no link: https://bit.ly/enqueteIAnudes

    A SaferNet quer saber dos jovens qual o grau de conhecimento eles têm sobre o uso de IA generativa para criação de imagens sexuais, se conhecem vítimas ou se já criaram esse tipo de imagem. A enquete questiona se os jovens sabem se a criação desse conteúdo é crime. 

    “Para entender o fenômeno das deepfakes sexuais, precisamos incluir a perspectiva dos adolescentes envolvidos no problema. Com dados e evidências, seremos capazes de propor recomendações de como podemos prevenir que outros jovens sejam vítimas, qual o papel das empresas para mitigar esses riscos e como o poder público pode adotar medidas de educação, enfrentamento e responsabilização para a questão”, afirma a diretora de projetos especiais da SaferNet, Juliana Cunha, responsável pela pesquisa. 

    O uso de IA generativa é um problema cada vez mais grave nas escolas do Brasil. Monitoramento realizado no âmbito do estudo da SaferNet, apresentado em outubro de 2025 mostrou que a imprensa havia registrado até então 16 casos do uso de deepfake sexuais em escolas de 10 dos 27 estados brasileiros, alcançando as cinco regiões do país. 

    Dentro ou fora das escolas, o problema ganhou em escala com o uso da plataforma de inteligência artificial do X para a criação dessas imagens. A plataforma não impediu a criação das deepfakes e apenas restringiu o Grok aos assinantes do X. A ausência de uma atuação mais ativa da companhia levou o MPF, a ANPD e o Ministério da Justiça a recomendarem que o X impeça a geração de conteúdos sexualizados indevidos. 

    Sobre a SaferNet Brasil

    A Safernet completou 20 anos de existência em dezembro de 2025. Durante sua trajetória, a ONG brasileira tornou-se referência na promoção dos direitos humanos na internet. Com uma abordagem multissetorial, atua no enfrentamento aos crimes cibernéticos contra os Direitos Humanos, no acolhimento de vítimas de violência online e em programas de educação, prevenção e conscientização.

    A Safernet mantém o Canal Nacional de Denúncias www.denuncie.org.br, conveniado ao Ministério Público Federal e o Canal de Ajuda, o Helpline, para o acolhimento e orientação às vítimas de violência e outros problemas online. A Safernet promove o uso seguro da internet com projetos educacionais como a Disciplina de Cidadania Digital.

    Em 2024, a SaferNet destacou-se como um dos cinco hotlines que mais contribuíram globalmente para a detecção de páginas com material de abuso sexual infantil, a partir de denúncias e de busca pró-ativa com ferramentas de detecção, segundo o último relatório global do InHope, associação internacional que reune 57 canais de denúncia em 52 países.

    Texto publicado em 21/02/2026

    Mais informações à imprensa:
    Marcelo Oliveira
    Assessor de Imprensa
    SaferNet Brasil
    imprensa@safernet.org.br

  • Mapeamento da SaferNet identifica deepfakes sexuais em escolas em 10 dos 27 estados brasileiros

    / / Crimes na Web / Por marcelo / 5 meses 4 semanas atrás

    A SaferNet Brasil identificou 16 casos de uso de deepfake sexuais em escolas de 10 dos 27 estados brasileiros. O mapeamento faz parte do estudo “Uso indevido de IA generativa: perspectivas sobre riscos e danos centradas nas crianças” que está sendo conduzido pela ONG brasileira sobre o mau uso de IA Generativa para o cometimento de crimes contra crianças e adolescentes. O estudo é financiado com recursos do fundo SafeOnline, gerido pela Unicef. 

    As deepfakes sexuais são imagens de nudez ou cunho sexual criadas com inteligência artificial generativa sem o consentimento das pessoas retratadas, caracterizando uma violação da privacidade e da dignidade.

    A IA generativa é uma tecnologia que pode ser treinada com dados para a criação de novos conteúdos a partir de comandos humanos. Essas imagens podem ser inteiramente sintéticas, ou seja, criadas sem a imagem de uma criança real, ou podem ser manipuladas a partir de fotos e vídeos existentes para criar montagens hiper-realistas que alteram rostos e corpos (deepfakes).

    Esse levantamento, conduzido de forma contínua pela SaferNet Brasil, analisando o noticiário sobre o tema desde 2023 até agora, identificou 16 casos de deepfakes sexuais envolvendo ao menos 72 vítimas nas cinco regiões do país. Os estados onde foram registrados casos são: Alagoas, Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

    Também foram identificados 57 agressores. Todos os envolvidos nos casos enumerados até agora tinham menos de 18 anos quando os atos aconteceram. Em quase todos os episódios noticiados pela imprensa, os crimes ocorreram em instituições de ensino privadas. As informações foram levantadas a partir da análise de centenas de reportagens publicadas por veículos nacionais e locais.

    O número de casos pode ser bem maior pois a SaferNet recebeu informações e confirmou de forma independente mais três casos não noticiados pela imprensa: dois no Rio de Janeiro e um no Distrito Federal, com pelo menos mais 10 vítimas e um agressor identificados. 

    Embora o número de casos identificados até o momento seja menor em comparação às ocorrências de imagens de abuso e exploração sexual sem o uso de IA, chama a atenção o fato de não haver, por parte das autoridades brasileiras, um monitoramento sobre a incidência desses crimes, nem se as investigações sobre esses casos têm avançado, dificultando a compreensão da real dimensão do problema.

    Sobre a pesquisa

    Por conta dessa lacuna, a SaferNet iniciou a pesquisa para ouvir relatos de vítimas e testemunhas. Ao longo de mais de 18 anos acolhendo pessoas que passaram por esse tipo de violência, a SaferNet sabe que muitas vítimas não buscam ajuda, nem revelam estar sofrendo esse tipo de abuso, por medo do julgamento em seu grupo social ou familiar ou por acreditarem que nada será feito. 

    Por isso, todos os relatos poderão ser feitos de forma anônima e segura diretamente por meio do formulário https://bit.ly/pesquisadeepfake ou com a ajuda de profissionais de saúde mental do canal de ajuda da SaferNet. Sua voz pode nos ajudar a compreender a dimensão do problema e a proteger outras pessoas. Caso opte pelo Canal de Ajuda, ao iniciar seu relato, por e-mail ou chat, use as palavras-chaves “estudo de IA” para facilitar a identificação do seu relato.

    “Sabemos que pode ser muito difícil falar sobre isso, mas a voz das vítimas é essencial para dimensionar o problema e ajudar outros adolescentes no futuro. Com a pesquisa, queremos elaborar um relatório inédito no Brasil sobre o tema e incentivar autoridades públicas a construir uma resposta a essa demanda com soluções que façam diferença no dia a dia dos adolescentes”, afirma Juliana Cunha, diretora de projetos especiais da SaferNet.

    Segundo Juliana, a pesquisa também ajudará com recomendações sobre melhores abordagens nesses casos, inclusive medidas não restritivas de liberdade nos casos envolvendo adolescentes, para os quais são necessárias respostas que também os considerem como sujeitos em desenvolvimento. 

    Gráficos dinâmicos

    Casos por estado:

    Vítimas e agressores, por estado

    O primeiro caso identificado no mapeamento data de 2023 — período em que as tecnologias de criação de imagens evoluíram de forma acelerada e se tornaram amplamente acessíveis. 

    Para a SaferNet Brasil, esse marco evidencia não apenas o caráter emergente dessas ferramentas, mas também a ausência de mecanismos públicos eficazes para monitorar seu uso. 

    Os registros existentes apontam um potencial elevado de danos psicológicos e sociais às vítimas, que ficam desprotegidas diante da dificuldade de responsabilização dos agressores e da rápida disseminação do conteúdo. 

    Legislação e regulamentação

    O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) define como crime, em seu artigo 241-C, a simulação de cenas de sexo ou cenas pornográficas com crianças e adolescentes. 

    Mesmo que o autor da manipulação seja menor de idade, o ato poderá ser enquadrado como ato infracional análogo ao crime previsto no artigo 241-C do ECA e punido com sanções de até três anos, como prevê o estatuto. Se o autor do crime for maior de 18 anos na data dos fatos, a pena prevista é de reclusão de três a seis anos, além de multa. 

    Caso você encontre algum conteúdo, artificial ou real, de imagens de abuso e exploração sexual infantil, denuncie à SaferNet na Central de Crimes Cibernéticos pelo link denuncie.org.br

    Ambos os gráficos serão atualizados rotineiramente, com informações sobre estados, número de vítimas e agressores. No futuro, dados sobre gênero dos adolescentes envolvidos nas ocorrências poderão ser adicionados. Para sugerir uma alteração, entre em contato pelo e-mail: comunicacao@safernet.org.br.

    Embora o Brasil tenha leis contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes, o país ainda não possui regulamentação específica para a criação, distribuição ou comercialização de ferramentas de inteligência artificial. 

    Regulações dedicadas ao uso e ao desenvolvimento dessas tecnologias são relevantes para impedir, desde a concepção, futuros problemas de design e redistribuição no mercado consumidor. 

    Sobre a SaferNet Brasil

    A Safernet completará 20 anos de existência em dezembro deste ano. Durante sua trajetória, a ONG brasileira tornou-se referência na promoção dos direitos humanos na internet. Com uma abordagem multissetorial, atua no enfrentamento aos crimes cibernéticos contra os Direitos Humanos, no acolhimento de vítimas de violência online e em programas de educação, prevenção e conscientização.

    A Safernet mantém o Canal Nacional de Denúncias www.denuncie.org.br, conveniado ao Ministério Público Federal e o Canal de ajuda.org.br, o Helpline, para o acolhimento e orientação às vítimas de violência e outros problemas online. A Safernet promove o uso seguro da internet com projetos educacionais como a Disciplina de Cidadania Digital .

    A SaferNet entrou este ano para o grupo dos hotlines que mais contribuíram globalmente para a detecção de páginas com material de abuso sexual infantil, a partir de denúncias e de busca pró-ativa com ferramentas de detecção, segundo o último relatório global do InHope, associação internacional que reune 57 canais de denúncia em 52 países.

    Texto publicado em 06/10/2025

    Mais informações à imprensa:

    Marcelo Oliveira
    Assessor de Imprensa
    SaferNet Brasil
    Whatsapp: 11-98100-9521
    marcelo@safernet.org.br

  • SaferNet Brasil e CNMP firmam acordo para fortalecer a proteção de direitos humanos no ambiente digital

    / / Crimes na Web / Por marcelo / 6 meses 3 semanas atrás

    A SaferNet Brasil assinou hoje (10/09) com o Conselho Nacional do Ministério Público acordo de cooperação para permitir que membros de todos os MPs do país acessem, com segurança, informações da base de dados da ONG para subsidiar a apuração de crimes e ações de prevenção às violações de direitos humanos no ambiente digital. 

    Em quase 20 anos de atuação, a SaferNet processou mais de 5 milhões de denúncias de violações de direitos humanos na internet, sendo que até o final de 2024, mais de 2,1 milhões foram de conteúdo relacionado a abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. 

    O sistema da SaferNet permite o anonimato do denunciante que, ao acessar a plataforma www.denuncie.org.br , seleciona um dos nove tipos de violação de direitos humanos e maus tratos contra animais, cola o link da página com o conteúdo suspeito, escreve um comentário se achar pertinente e envia a denúncia. São apenas 3 cliques para completar uma denúncia. O processo é fácil, rápido e anônimo.

    Além de conteúdos de abuso e exploração sexual infantil, o cidadão pode denunciar os crimes de racismo, apologia e incitação a crimes contra a vida, xenofobia, neonazismo, intolerância religiosa, lgbtfobia, tráfico de pessoas, violência ou discriminação contra mulheres e maus tratos contra animais. 

    A SaferNet seguirá com a cooperação que já mantém com o Ministério Público Federal, iniciada há mais de 19 anos, e cuja versão atual data de 2017. Pelo acordo com o MPF, a ONG processa as cerca de 200 a 300 denúncias que recebe diariamente em colaboração com o Núcleo Técnico de Combate aos Crimes Cibernéticos do MPF em São Paulo. Nesse processamento são excluídas denúncias repetidas, por exemplo. Apenas em 2024, o MPF instaurou cerca de 1000 procedimentos de investigação a partir das denúncias que a SaferNet Brasil recebeu. 

    Sem custos

    O presidente da SaferNet, Thiago Tavares, destacou em sua fala, durante a assinatura do acordo (veja como foi), realizada durante o evento “Infância em Primeiro Plano: Estratégias Eficazes de Atuação”, durante a programação do Circuito CNMP 2025, em Brasília, o fato de que o acordo não tem impacto orçamentário para o Poder Público, pois não há transferência de recursos entre a ONG e o CNMP. 

    “O que assinamos hoje é mais do que um documento: é um compromisso público com a proteção integral de crianças e adolescentes e com a cidadania digital de toda a sociedade brasileira. O CNMP aporta sua capilaridade institucional e sua missão constitucional; a SaferNet aporta tecnologia, dados e expertise acumulada ao longo de duas décadas de atuação na defesa e promoção dos direitos humanos em ambientes digitais. Juntos, transformaremos dados em evidências, evidências em ações e ações em resultados para quem mais precisa de proteção”, afirmou Tavares.

    “A Safernet Brasil já possui um acordo muito eficiente com o Ministério Público Federal. Em apenas 2024, instaurou-se mais de 1.000 procedimentos de investigação criminal a partir das notícias trazidas pela Safernet. Por isso, é de suma relevância a celebração desse acordo agora com o CNMP, que amplia o escopo da colaboração e permite que todo o Ministério Público Brasileiro tenha acesso a esses dados (...) Ao enfrentar a violência no ambiente digital, nós garantimos que nossas crianças e adolescentes possam crescer em contextos seguros e acolhedores”, afirmou o promotor de Justiça Carlos Vinícius Alves Ribeiro, Secretário-Geral do CNMP e signatário do acordo.

    “Importantíssimo o acordo do CNMP com a SaferNet. O MPF já tem acesso à base de denúncias da SaferNet, que integra a base do InHope, desde 2017, o que tem permitido a abertura de inúmeras investigações sobre abuso sexual de crianças e adolescentes na Internet e o resgate de vítimas. Com isso, todos os Ministérios Públicos passarão a contar com essa vasta fonte de informações para robustecer suas investigações e fortalecer o combate a esse crime devastador”, afirmou Fernanda Domingos, coordenadora do Grupo de Atuação Especial no Combate aos Crimes Cibernéticos e Crimes Cometidos por meio das Tecnologias de Informação, do MPF.

    Educação faz parte do acordo

    O acordo entre o CNMP e a Safernet prevê também ações de educação alinhadas a marcos legais como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a Política Nacional de Educação Digital (PNED) e diretrizes recentes sobre o uso pedagógico de dispositivos digitais. Confira os principais pontos: 

    1. Capacitação e sensibilização dos membros do MP: a SaferNet realizará 10 webinars para apresentação do sistema de denúncias e discussão de diretrizes de atuação;

    2. Acesso qualificado à informação por meio de credenciais digitais para consulta on-line ao sistema de recepção de denúncias da SaferNet, que registrou mais de 5 milhões de denúncias ao longo dos últimos 19 anos; 

    3. Formação continuada nas redes de ensino: a meta é promover, no mínimo, duas turmas de formação por ano para profissionais da educação e estudantes, com foco em Segurança e Cidadania Digital, Educação Midiática e proteção de crianças e adolescentes na internet; 

    4. Ações educativas regulares (quatro por ano), priorizando formatos remotos para alcançar mais pessoas, com atuação técnica de especialistas da SaferNet ao lado de equipes do Ministério Público e das Secretarias de Educação;

    5. Ampliação do alcance nacional: a SaferNet espera firmar parcerias com, no mínimo, 50% dos Ministérios Públicos Estaduais e suas Secretarias de Educação ao longo da vigência do acordo (5 anos), fomentando a adesão e o engajamento locais.

    Veja fotos da assinatura do acordo

    Sobre a SaferNet

    A Safernet completará 20 anos de existência em dezembro deste ano. Durante sua trajetória, a ONG brasileira tornou-se referência na promoção dos direitos humanos na internet. Com uma abordagem multissetorial, atua no enfrentamento aos crimes cibernéticos contra os Direitos Humanos, no acolhimento de vítimas de violência online e em programas de educação, prevenção e conscientização.

    A Safernet mantém o Canal Nacional de Denúncias www.denuncie.org.br, conveniado ao Ministério Público Federal e o Canal de ajuda.org.br, o Helpline, para o acolhimento e orientação às vítimas de violência e outros problemas online. A Safernet promove o uso seguro da internet com projetos educacionais como a Disciplina de Cidadania Digital .

    A SaferNet entrou este ano para o grupo dos hotlines que mais contribuíram globalmente para a detecção de páginas com material de abuso sexual infantil, a partir de denúncias e de busca pró-ativa com ferramentas de detecção, segundo o último relatório global do InHope, associação internacional que reune 57 canais de denúncia em 52 países. 

    Texto publicado em 10/09/2025

    Mais informações à imprensa
    Marcelo Oliveira
    Assessor de Imprensa
    SaferNet Brasil
    Whatsapp: 11-98100-9521
    E-mail: imprensa@safernet.org.br 

     

  • SaferNet Brasil alerta que 64% das denúncias recebidas em 2025 são de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes na internet

    / / Crimes na Web / Por guilherme / 7 meses 2 semanas atrás

    A SaferNet Brasil divulgou relatório que evidencia o agravamento da violência sexual contra crianças e adolescentes em ambientes digitais. Entre 1º de janeiro e 31 de julho de 2025, o Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos registrou 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil, correspondendo a 64% do total de notificações no período, que foi de 76997 denúncias.

    Até 31 de dezembro de 2024, 19 anos de série histórica, o canal da SaferNet recebeu o total de 4.936.655 denúncias. Desse total, 2.153.069 denúncias foram de links contendo imagens de abuso e exploração sexual infantil (43,6% do total). Os números dos primeiros sete meses de 2025 demonstram a evidência que o tema do abuso e a exploração sexual infantil na internet volta a ter.  

    O relatório destaca duas tendências críticas: 

    • 1) o aumento expressivo das denúncias após a publicação do vídeo “Adultização”, do influenciador Felca, que até esta quarta-feira (20) teve 47 milhões de visualizações, gerou um recorde histórico em agosto e estimulou debates legislativos sobre a proteção infantojuvenil; 
    • 2) o uso crescente da inteligência artificial generativa para criar material de abuso sexual infantil, tanto por meio da manipulação de imagens reais quanto da produção de conteúdos hiper-realistas totalmente sintéticos.


    Dados revelam cenário crítico

    Entre janeiro e julho de 2025, o Canal Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da SaferNet Brasil registrou 49.336 denúncias anônimas de abuso e exploração sexual infantil, classificadas como pornografia infantil, um crescimento de 18,9% em relação ao mesmo período de 2024. O total de denúncias recebidas em 2024 corresponde a 64% de todas as notificações recebidas no período, confirmando a centralidade desse crime no ambiente digital brasileiro. 

    Entre 6 a 18 de agosto, as denúncias atingiram um pico, em sintonia com a publicação do vídeo “Adultização”, do influenciador Felca. Foram mais de 6 mil registros apenas no mês, e 52% deles ocorreram após a viralização do vídeo, demonstrando como a mobilização social impacta diretamente na visibilidade desse tipo de violência online.

    Gráfico de linha intitulado "Denúncias explodem desde o vídeo 'Adultização'". O subtítulo informa que mais da metade das denúncias recebidas pela SaferNet em agosto (52%) ocorreu após o vídeo-viral, somando 3.246 registros. O gráfico mostra o número de denúncias diárias de 5 a 18 de agosto. Uma linha pontilhada vertical em 6 de agosto indica a data de publicação do vídeo. Os números de denúncias são os seguintes: dia 5 (160), dia 6 (170), dia 7 (372), dia 8 (212), dia 9 (182), dia 10 (193), dia 11 (pico de 522), dia 12 (194), dia 13 (147), dia 14 (155), dia 15 (pico de 465), dia 16 (138), dia 17 (140) e dia 18 (196). A linha do gráfico mostra picos acentuados após a publicação do vídeo. A fonte dos dados é a Central de Denúncias de Crimes Cibernéticos da SaferNet Brasil. O logo da SaferNet está no canto inferior direito.

     

    Repercussão política e regulação

    O relatório contextualiza os dados no cenário regulatório brasileiro, em especial o debate do PL 2.628/2022 — apelidada de Lei de Proteção de Crianças e Adolescentes no Ambiente Digital, que propõe deveres específicos para plataformas, como bloqueio de conteúdos de abuso sexual infantil, restrições a sistemas de recomendação de conteúdos (por exemplo, via algoritmos) e regras de controle parental.

    A SaferNet também analisa o modelo de notificação e retirada de conteúdo (notice and take down), vigente no Brasil, em contraste com a notificação e tomada de ação (notice and take action), previsto na Lei de Serviços Digitais europeia (Digital Services Act). A avaliação ressalta que respostas proporcionais e graduadas, além da simples remoção, podem ser mais eficazes no combate a conteúdos nocivos, sem comprometer direitos fundamentais como a liberdade de expressão.


    IA e exploração sexual infantil: riscos emergentes

    A SaferNet classifica como “material de abuso ou exploração sexual infantil” todos os conteúdos que retratam ou simulam violência sexual contra crianças e adolescentes. No caso da IA generativa, esses materiais incluem fotografias manipuladas, deepfakes e imagens artificiais criadas a partir de comandos de texto. O artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente já prevê pena de 1 a 3 anos de prisão para imagens de abuso e exploração sexual infantil manipuladas. 

    A organização alerta que a facilidade de criação e a escala industrial de disseminação tornam esse tipo de crime particularmente desafiador para as autoridades, plataformas digitais e órgãos de fiscalização. 

    “Tratar conteúdos sintéticos como ‘menos graves’ é um erro. O impacto psicológico e social é comparável ao de abusos com vítimas reais. A IA amplia o alcance da violência e acelera sua circulação em redes sociais, sites e aplicativos de mensagens”, afirma Juliana Cunha, diretora da SaferNet e coordenadora da pesquisa em andamento sobre o tema.


    Pesquisa inédita e chamada pública

    Com apoio do fundo internacional Safe Online, iniciativa global da End Violence Against Children que financia projetos voltados à proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais, a SaferNet iniciou em julho de 2025 um estudo qualitativo para mensurar o impacto da IA generativa a partir da perspectiva dos adolescentes. O objetivo é fornecer evidências para subsidiar decisões de empresas de tecnologia, sociedade civil e poder público, superando o viés de respostas puramente punitivas.

    Para Juliana Cunha, diretora da SaferNet e responsável pela pesquisa, trata-se de um fenômeno recente e em rápida evolução — o que abre uma janela de oportunidade para propor respostas mais eficazes, baseadas em evidências. “O resultado desta pesquisa será a proposição de recomendações acionáveis para diferentes atores: empresas de tecnologia, que devem prevenir e mitigar riscos; o poder público, responsável por regular e fiscalizar; e a sociedade civil, que precisa atuar na conscientização e na denúncia.”

    Considerando a relevância do problema, a SaferNet abriu uma chamada pública para receber relatos de adolescentes, menores de 18 anos, que tenham sido vítimas da criação de imagens não consensuais com uso de inteligência artificial, bem como de pessoas que tenham conhecimento de tais situações, a fim de subsidiar a produção de evidências, recomendações e políticas de proteção mais eficazes. 

    A participação é possível através do canal de ajuda da SaferNet ou por um formulário especializado para recebimento de denúncias de deepfakes entre adolescentes: bit.ly/pesquisadeepfake 

    Leia a íntegra do relatório da SaferNet aqui.


    Sobre a SaferNet Brasil

    A SaferNet, ONG brasileira referência na promoção dos direitos humanos na internet, completa 20 anos em dezembro de 2025. Ao longo de sua trajetória, adotou uma abordagem multissetorial para enfrentar crimes cibernéticos contra os direitos hreal" é um erroumanos, acolher vítimas de violência online e desenvolver programas de educação, prevenção e conscientização.

    A SaferNet é responsável pelo Canal Nacional de Denúncias (www.denuncie.org.br), conveniado ao Ministério Público Federal, e pelo Canal de Ajuda (www.ajuda.org.br), o Helpline, voltado às vítimas de violência e outros problemas no ambiente digital. Também promove o uso seguro da internet por meio de iniciativas como a Disciplina de Cidadania Digital. Reconhecida internacionalmente, a SaferNet opera o quinto hotline mais atuante do mundo na cooperação com redes de outros países para combater a proliferação de imagens de abuso e exploração sexual infantil.

    Texto publicado em 20/08/2025

    Mais informações para imprensa:

    Marcelo Oliveira
    Assessor de Imprensa - SaferNet Brasil
    Whatsapp: 11-98100-9521

  • Denúncias à SaferNet de abuso e exploração sexual infantil na internet aumentam 114% após vídeo-viral de Felca

    / / Crimes na Web / Por marcelo / 7 meses 3 semanas atrás


    O número de denúncias de “pornografia infantil” recebidas pela SaferNet aumentou 114% desde que o influenciador Felca denunciou como criadores de conteúdo ganham dinheiro explorando vídeos nas redes sociais com conteúdos de teor sexual envolvendo crianças e adolescentes.

    A medição foi realizada nesta terça-feira (12) no sistema de denúncias da ONG, que mantém há quase 20 anos o Canal Nacional de Denúncias de Crimes e Violações a Direitos Humanos na Web. Entre 6 de agosto, data em que foi postado o vídeo, e as 0h desta terça-feira (12 de agosto), a SaferNet recebeu 1651 denúncias únicas. No mesmo período do ano passado, o hotline da organização havia recebido 770 denúncias, um aumento de 114%. 

     

    Para efeito de comparação, a SaferNet levantou os números do primeiro semestre de 2025 (28.344 denúncias) em relação ao primeiro semestre de 2024 (23.799 denúncias). O aumento de “pornografia infantil” entre um ano e outro havia sido, portanto, de apenas 19%, considerado normal após a queda de 26% registrada em 2024. 


    Denúncias únicas são as denúncias que a SaferNet recebe de forma anônima de usuários da internet e disponibiliza ao Ministério Público Federal, após a filtragem que realiza. Nessa avaliação, a SaferNet coleta evidências, exclui os links repetidos e agrupa os comentários recebidos com os links. A análise do mérito (do teor dos links denunciados e se há indício de crime) é feita por técnicos e analistas do  MPF, órgão federal com atribuição legal para iniciar e conduzir investigações cíveis e criminais em temas de direitos humanos. 

    Segundo Thiago Tavares, presidente da SaferNet, esse crescimento de denúncias de imagens de abuso de exploração sexual infantil na internet em agosto é efeito do vídeo viral de Felca. "Há anos, o tema do abuso sexual infantil online não gerava um debate tão grande na sociedade brasileira, e a repercussão do vídeo, obviamente, estimulou as pessoas a denunciar".

    Em seu vídeo viral Adultização, Felca apontou duas questões que a SaferNet vem denunciando sistematicamente desde o ano passado: o uso do Telegram como plataforma para distribuir e vender os vídeos produtos dos abusos e exploração das crianças, e o uso por esses criminosos de acrônimos, siglas e emojis para falar desse tipo de conteúdo sem chamar atenção, tanto ao vender as imagens dos abusos, quanto para aliciar novas vítimas. É o caso, por exemplo, da sigla cp (child porn), encontrada em vários grupos de troca e venda de “pornografia infantil” e mostrada no vídeo viral do influenciador. 

    A SaferNet não recomenda o uso da expressão “pornografia infantil”. O uso da expressão “pornografia” minimiza a gravidade que têm esses crimes. A posse, o registro, a distribuição e a venda de imagens de abuso e exploração sexual infantil perpetuam e multiplicam a dor de crimes mais graves: o estupro, o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes. Saiba mais em nosso miniguia sobre como falar de violência sexual. Observação importante: no formulário de denúncias a SaferNet segue usando a expressão mencionada, pois essa nomenclatura aparece no texto da lei.

    Sobre a SaferNet

    A Safernet completará 20 anos de existência em dezembro deste ano. Durante sua trajetória, a ONG brasileira tornou-se referência na promoção dos direitos humanos na internet. Com uma abordagem multissetorial, atua no enfrentamento aos crimes cibernéticos contra os Direitos Humanos, no acolhimento de vítimas de violência online e em programas de educação, prevenção e conscientização. 

    A Safernet mantém o Canal Nacional de Denúncias www.denuncie.org.br , conveniado ao Ministério Público Federal e o Canal de Ajuda.org.br, o Helpline, para vítimas de violência e outros problemas online. A Safernet promove o uso seguro da internet com projetos educacionais como a Disciplina de Cidadania Digital.

    A SaferNet mantém o quinto hotline que mais coopera com hotlines de outros países no combate à proliferação de imagens de abuso e exploração sexual infantil.

    Texto publicado em 14/08/2025

    Mais informações à imprensa

    Marcelo Oliveira

    Assessor de Imprensa

    SaferNet Brasil
    Whatsapp: 11-98100-9521

  • Dados da SaferNet sobre tráfico de pessoas integram painel do Ministério da Justiça

    Aliciamento on-line / / Crimes na Web / Por marcelo / 9 meses 2 dias atrás
    Brasília, 4 de julho de 2025 - Dados do Canal de Denúncias da SaferNet Brasil integram o novo Painel de Dados sobre Tráfico de Pessoas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, lançado nesta sexta-feira, conjuntamente com um relatório sobre o tema. Ambas as iniciativas são da Secretaria Nacional de Justiça. 

    Brasília, 4 de julho de 2025 - Dados do Canal de Denúncias da SaferNet Brasil integram o novo Painel de Dados sobre Tráfico de Pessoas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, lançado nesta sexta-feira, conjuntamente com um relatório sobre o tema. Ambas as iniciativas são da Secretaria Nacional de Justiça. 

    Fundada em 2005, a SaferNet mantém o canal desde 2006, que é o hotline brasileiro para denúncias de crimes cibernéticos contra os direitos humanos. Atualmente a ONG, 100% brasileira, funciona como um centro de referência nacional para uma internet mais segura. Com abordagem multissetorial, além das denúncias, a SaferNet mantém o Helpline, um canal de ajuda para vítimas de crimes na internet e atua na área de educação, com foco em Cidadania Digital. 

    O canal recebe denúncias de nove violações de direitos humanos em ambientes digitais e de maus tratos contra animais na internet. O crime de tráfico de pessoas online foi o único que apresentou aumento de casos em 2024. 

    No ano passado, o canal denuncie.org.br recebeu 972 denúncias contendo links na internet com conteúdo suspeito de tráfico de pessoas, contra 810 em 2023, um aumento de 16,6%. Esse total de denúncias foi analisado pela ONG e foram remetidos ao Ministério Público Federal 423 links, após a exclusão de casos repetidos, 17,5% a mais que em 2023. 

    O crime de tráfico de pessoas online passou a integrar o formulário da central de denúncias da SaferNet em 2010, por ocasião da conferência mundial da UNODC (Escritório da ONU Contra Drogas e Crime), realizada em Salvador. 

    Desde então, a SaferNet passou a receber e analisar evidências de conteúdos, contas, sites e plataformas na web utilizadas para o recrutamento, inclusive de crianças e adolescentes, de pessoas para fins de exploração sexual, doméstica e internacional. 

    “As denúncias recebidas geralmente contém links de sites e contas falsas em redes sociais que funcionam como isca para recrutar mulheres, inclusive crianças e adolescentes, para fins de exploração sexual no Brasil e no exterior”, afirma Thiago Tavares, presidente da SaferNet Brasil. 

    Esses dados são compartilhados, como todas as outras denúncias recebidas pela SaferNet, com o Núcleo de Combate aos Crimes Cibernéticos do MPF que instaurou dezenas de procedimentos de investigação criminal a partir das denúncias trazidas pelos cidadãos, permitindo identificar, por exemplo, “falsas agências de modelo recrutando adolescentes pelas redes sociais para fins de exploração sexual durante feiras, congressos e grandes eventos no Brasil”.

    Entre 2011 e 2012, a SaferNet cooperou com o Senado Federal, e disponibilizou um formulário web de denúncias para auxiliar a CPI sobre o Tráfico de Pessoas. 

    “Os dados coletados pela SaferNet Brasil nesses 15 anos permitiram a geração de indicadores que hoje são utilizados por pesquisadores, jornalistas e formuladores de políticas públicas para entender o impacto e evolução do uso criminoso de plataformas e serviços digitais para o tráfico de pessoas, sobretudo para fins de exploração sexual”, afirmou Tavares na cerimônia de lançamento do painel e do relatório. 

    Nesse período a SaferNet Brasil recebeu e processou 18379 denúncias anônimas de Tráfico Humano envolvendo 7598 páginas da internet diferentes entre si. Desse total, 5522 foram removidas. O painel de dados lançado hoje pelo MJSP traz um recorte desses dados (veja imagems abaixo), compreendendo o período de 2017 a 2024.

    Os dados divulgados hoje, na avaliação de Tavares, evidenciam a necessidade da cooperação internacional. “A UNODC exerce um papel singular na comunidade das nações ao conectar e qualificar os sistemas de justiça criminal em todo o mundo, produzindo relatórios, indicadores, guias e capacitações essenciais ao enfrentamento a esse crime no Brasil”, disse. 

    O MJSP em seu papel institucional de formulador e articulador das políticas públicas tem dialogado e trabalhado em parceria com a sociedade civil para coletar, sistematizar e analisar dados, inclusive na fronteira digital. As iniciativas do MJSP na defesa de direitos nos ambientes digitais ganha mais relevância no momento em que o STF decidiu que as plataformas digitais têm que moderar conteúdo para evitar co-responsabilização por conteúdo criminoso e um dos delitos listados na decisão é o tráfico de pessoas. 

    Para denunciar crimes contra os direitos humanos na internet, acesse: denuncie.org.br

    Veja como foi o lançamento do relatório e o painel no MJSP aqui. A fala de Thiago Tavares começa às 1h8min50s do vídeo. 

    Mais informações

    Marcelo Oliveira
    Assessor de Imprensa
    SaferNet Brasil
    11-98100-9521

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