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  • Safernet: denúncias de xenofobia na internet explodem após 1º turno das eleições

    / / Crimes na Web / Por admin / 3 meses 3 semanas atrás

    No domingo, após a apuração da eleição, que mostrou ampla vitória do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva no nordeste, a internet amanheceu com xingamentos e ataques de toda espécie a nordestinos, alguns inclusive sugerindo a separação do sul e sudeste do restante do país, de forma semelhante a ataques ocorridos quando Dilma Roussef venceu Aécio Neves nas eleições de 2014, também com apoio maciço dos brasileiros do nordeste. 

    Essa enxurrada de preconceito se refletiu nos números de denúncias recebidas pela Safernet (ONG referência na proteção de direitos humanos na rede, que desde 2006 mantém uma central nacional de denúncias conveniada com o Ministério Público Federal) que recebe denúncias de diferentes tipos de crime, sete deles envolvendo discurso de ódio, como a xenofobia. 

    Nesta última segunda-feira, dia 3 de outubro, dia seguinte ao primeiro turno, a Safernet recebeu 348 denúncias de xenofobia, sendo 232 delas links únicos. No dia da eleição, 2 de outubro, a organização havia recebido 10 denúncias, 9 únicas e uma duplicada. 

    No dia 5 de setembro, primeira segunda-feira do mês passado, a Safernet não recebeu nenhuma denúncia de xenofobia. No dia 4, primeiro domingo de setembro, a ONG havia recebido somente 2 denúncias. 

    Quando os dados 2 e 3 de outubro de 2022 são comparados aos do primeiro domingo e primeira segunda-feira de outubro do ano passado, o salto é gigantesco, pois no dia 3 de outubro de 2021 (domingo), a Safernet não recebeu denúncias de xenofobia e, no dia 4, apenas uma denúncia. 

    Incitar discriminação a nordestinos ou a pessoas procedentes de qualquer outra região do país (ou estrangeiros) é crime. Quando o crime ocorre nas redes sociais, o crime torna-se qualificado e a pena, que é de reclusão de 1 a 3 anos, mais multa, passa para reclusão de 2 a 5 anos, mais multa. 

    O crime de xenofobia praticado na internet, segundo a jurisprudência do STJ, é atribuição da Justiça Federal. 

    Crimes de ódio crescem em anos eleitorais

    Os crimes de ódio na internet, como a xenofobia, têm registrado, desde 2018, aumento em anos eleitorais em relação ao ano anterior. A Safernet notou aumento de denúncias em sua central em 2018 e 2020 em relação à 2017 e 2019. No primeiro semestre de 2022, todos os 7 crimes de ódio os quais a Safernet recebe denúncias registraram aumento em relação ao mesmo período do ano anterior. 

    A xenofobia pode ter consequências judiciais e repercutir na vida de quem comete o crime. Em outubro de 2010, após Dilma Rousseff vencer José Serra e tornar-se a primeira mulher presidente do Brasil, com expressiva votação no nordeste, uma universitária tuitou que “nordestino não é gente”. A jovem foi denunciada e condenada a um 1 ano, cinco meses e 15 dias de prisão, convertidos em multa e prestação de serviços comunitários. A jovem também perdeu o emprego e teve que mudar de cidade. 

    A Safernet defende eleições sem discurso de ódio e mantém, com apoio da Google Foundation o programa Saferlab de contranarrativas a esse discurso. Os jovens criadores ligados ao programa, sob a supervisão da Safernet, criaram, além de inúmeros materiais nas redes sociais da ONG sobre o tema, a cartilha Eleições Sem Ódio, sobre formas criativas de combate à desinformação e ao discurso de ódio. 

    Sobre a Safernet

    A Safernet é a primeira ONG do Brasil a estabelecer uma abordagem multissetorial para proteger os Direitos Humanos no ambiente digital. Fundada em 2005. A Safernet criou e mantém a Central Nacional de Denúncias de Violações contra Direitos Humanos (Hotline) ( https://new.safernet.org.br/denuncie ), o Canal Nacional de Apoio e Orientação sobre Segurança na Internet (Helpline) ( https://new.safernet.org.br/helpline ) e ações de conscientização sobre uso cidadão da Internet. São 16 anos de experiência na entrega de projetos inovadores com enorme impacto social, incluindo programas de capacitação para educadores, adolescentes, jovens e formuladores de políticas públicas no Brasil. Desde 2009, a Safernet coordena o Dia Mundial da Internet Segura no Brasil e, em 2013, a SaferNet foi homenageada com o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, concedido pela Presidência da República do Brasil. Mais informações: https://www.safernet.org.br/ 

  • Precisamos de mais educação digital

    / / Segurança Digital / Por admin / 4 meses 2 dias atrás

    As análises mostram que os adolescentes, em particular, lidam com frequência com conteúdos e situações de risco online. Estas incluem aceitar pedidos de amizade de estranhos, encontrarem-se com pessoas que só conheceram online, postar fotos que deveriam ser privadas e compartilhar materiais sem pensar nas possíveis consequências futuras.

    Os pesquisadores admitiram estar surpresos com a extensão de alguns dos comportamentos arriscados e violentos que os alunos alegaram ter encontrado. 

    Também houve preocupação em como a maioria dos alunos, ao enfrentar um problema online, preferiria tentar corrigi-lo sozinho, em vez de procurar ajuda de professores ou pais.

    Esta pesquisa foi realizada como parte do Programa de Acesso Digital (DAP), uma colaboração entre os governos do Reino Unido e do Brasil, projetado para melhorar a segurança cibernética e a conscientização sobre o tema. As descobertas da pesquisa foram usadas para ajudar a organizar um conjunto de recursos educacionais que agora estão disponíveis para professores em todo o país.

    Este trabalho envolveu as Secretarias de Educação Estaduais (BA, DF e PE), o Foreign, Commonwealth and Development Office do Reino Unido, a Safernet Brasil e a KPMG. O componente de pesquisa foi liderado pela pesquisadora e professora doutora Maria Bada, da Queen Mary University of London, especializada em psicologia cibernética e danos online.

    “Em todo o mundo, o volume de riscos online – e os danos que estes podem causar – está crescendo”, explica a Dra. Bada. “A maioria dos adolescentes tem acesso online, mas não está totalmente ciente dos perigos que enfrenta. Nesse sentido, os adolescentes brasileiros não são diferentes dos adolescentes de qualquer outro lugar. No entanto, no decorrer de nossa pesquisa, fiquei surpresa com a extensão em que esses estudantes tiveram contato com comportamentos racistas, sexistas ou misóginos online. Vi adolescentes que claramente sofriam de ansiedade e estresse causados por esses incidentes – e achei preocupante que, aparentemente, poucas delas pensassem em procurar conselhos sobre isso para um adulto”.

    “Essas descobertas reforçam a importância de iniciativas como o DAP. Precisamos mudar a percepção dos jovens sobre o que se constitui como um comportamento online inaceitável. Eles precisam saber o que reportar e como. E então precisamos garantir que professores e pais estejam devidamente equipados para ter conversas relevantes sobre essas questões e fornecer apoio. Temos que lembrar que a exposição a esses comportamentos pode afetar significativamente a forma como esses jovens se veem e moldarão suas personalidades adultas”.

    Resultados da pesquisa

    Metade dos alunos envolvidos na pesquisa da professora Bada admitiu sentir-se chateado, envergonhado ou com medo por causa de algo que aconteceu enquanto eles estavam usando a internet no ano passado. Trinta e oito por cento dos alunos afirmaram que foram xingados, ridicularizados ou provocados por outros virtualmente de maneira ofensiva. Além disso, 22% disseram que algo que deveria ser privado foi compartilhado online.

    Apesar de claramente se sentirem desconfortáveis com suas experiências, muitos alunos admitiram que continuaram a postar e compartilhar informações pessoais online. Aparentemente impulsionado por um desejo irresistível de reconhecimento ou aceitação social, esse é um fenômeno global que Bada e seus colegas pesquisadores desejam entender melhor.

    Esse processo é exacerbado por uma ingenuidade geral e falta de conscientização entre os jovens sobre o que devem ou não compartilhar online. A confiança cega que muitos deles exibem em suas interações digitais – onde uma alta confiança atrelada à uma alta abertura resulta em alto risco - não ajuda.

    Recomendações

    A pesquisa – que envolveu mais de 250 alunos e seus professores em cinco escolas – levou a uma série de recomendações. Isso inclui sugestões para um plano escolar nacional para segurança cibernética; criação de canais de denúncia anônimos nas escolas; e a criação de regras escolares para prevenir o cyberbullying e o compartilhamento de conteúdo violento online.

    Houve também sugestões para incentivar os alunos a reduzir o tempo que passam online; desencorajá-los a compartilhar imagens íntimas com qualquer pessoa, mesmo quando pressionados; e ensiná-los sobre as responsabilidades éticas e legais que eles têm pelo conteúdo que produzem e publicam online. A disciplina eletiva para o Ensino Médio que está sendo disponibilizada para as escolas abordará parte disso – mas não são apenas os alunos que precisam de assistência.

    A doutora Bada continuou: “Durante o nosso trabalho de campo, aprendemos que os professores eram as últimas pessoas a quem alguns adolescentes procuravam para obter informações. Isso não é uma coisa agradável para eles ouvirem. No entanto, os próprios professores admitiram que, embora estivessem confiantes em suas próprias habilidades de computação, sua compreensão dos riscos e danos online não era tão boa. Pior ainda, eles estavam sendo solicitados a ajudar seus alunos, alertando-os sobre os perigos de coisas como cyberbullying – mas muitos nunca tiveram nenhum treinamento sobre como fazê-lo.”

    “Realizamos esta pesquisa para identificar os possíveis danos que os adolescentes brasileiros enfrentam e os desafios que devem ser superados para que eles desenvolvam melhor suas habilidades digitais essenciais. Iniciativas como a eletiva do DAP ajudarão, mas ainda há mais a ser feito. De forma encorajadora, o governo brasileiro – e organizações especializadas como a Safernet – têm sido extremamente favoráveis, então esperamos que outros avanços sejam feitos em breve.”

    Para saber mais sobre este projeto e a eletiva, acesse: https://new.safernet.org.br/content/educacao-cibernetica-nas-escolas-e-impulsionada-com-lancamento-de-nova-eletiva ou entre em contato por email dap@safernet.org.br (equipe Safernet) ou com mariana.cartaxo@fcdo.gov.uk (Embaixada do Reino Unido) para mais informações.

  • Educação cibernética nas escolas é impulsionada com lançamento de nova eletiva

    / / Comportamento Online / Por admin / 4 meses 4 semanas atrás

    Uma disciplina eletiva piloto desenvolvida para melhorar a oferta de educação cibernética nas escolas foi lançada em três estados. O programa, resultado da colaboração entre os governos do Brasil e do Reino Unido, oferece aos professores de Pernambuco, Bahia e Distrito Federal o acesso a um conjunto substancial de recursos didáticos de alta qualidade. Os mesmos recursos serão posteriormente disponibilizados para todos os estados a partir do final de setembro de 2022, ajudando professores a oferecerem educação cibernética de maneira mais eficaz, consistente e sustentável. 

    Melhorar a conscientização e a educação cibernética em todo o país é um dos grandes desafios para os próximos anos. Esse fato coloca a atenção em como as crianças aprendem competências digitais fundamentais e na criação de uma cultura mais forte de segurança da informação.      

    Hoje, alunos adolescentes, em particular, podem ser expostos a inúmeros danos cibernéticos, desde phishing e aliciamento até exploração sexual. Ao melhorar sua compreensão do tema na escola, os adolescentes podem aprender a navegar com segurança no ciberespaço, reconhecendo riscos potenciais e sabendo como evitá-los.

    Resultado preocupante das pesquisas 

    A pesquisa realizada para este projeto destacou o quão grave esse problema se tornou – e as barreiras que os professores enfrentam ao tentar oferecer educação cibernética.

    Metade dos alunos envolvidos na pesquisa admitiu sentir-se chateado, envergonhado ou com medo por causa de algo que aconteceu enquanto usavam a internet no último ano. 38% dos alunos afirmaram que foram insultados, ridicularizados ou provocados por outros online de maneira prejudicial. Além disso, 22% disseram que algo que deveria ser privado foi compartilhado online.

    Dos alunos que viram vídeos violentos, conteúdos grosseiros ou mensagens e vídeos online que os fizeram se sentir mal consigo mesmos, 70% dizem que o conteúdo foi enviado para eles; 17% dos estudantes afirmaram que foram solicitados a compartilhar imagens sexuais de si mesmos online uma vez por mês.

    Do lado dos professores, quase 80% afirmaram que nenhum programa de treinamento ou conscientização sobre o assunto de riscos online ou gerenciamento de riscos foi fornecido por sua escola. Apenas 10% disseram que se sentiram adequadamente apoiados por sua escola para ensinar os alunos a se manterem seguros online ou a responder aos relatos dos alunos sobre experiências online angustiantes.

    Concepção do currículo da eletiva

    Essas descobertas ajudaram a equipe responsável pela eletiva a refinar seu pensamento sobre o tipo de material educacional que precisava ser incluído em todo o kit de atividades pedagógicas que irá compor a disciplina. Felizmente, não há escassez de conteúdo educacional cibernético disponível para adolescentes, desde vídeos e recursos didáticos até planos de aula e materiais de treinamento de professores.

    O desafio para a equipe do projeto foi, portanto,filtrar a quantidade de materiais, encontrando os melhores cursos e de maior qualidade. Com base em materiais dos setores público, privado e do terceiro setor, a equipe foi gradualmente capaz de selecionar um conjunto de ferramentas de recursos excepcionais, destinado a ajudar os professores a entregar a eletiva da melhor maneira possível. Esses recursos incluíam planos de aula e materiais de apoio, bem como conteúdo de mídia sobre bem-estar digital, segurança cibernética e proteção contra violência online.

    A Safernet Brasil esteve envolvida neste processo, organizando workshops com outras organizações não-governamentais, organizações sociais e especialistas em educação digital. Esta foi uma oportunidade de informar estas organizações sobre os planos da eletiva, apelando tanto para o seu apoio quanto para os seus materiais.

    Depois que todos os materiais foram coletados e adaptados quando necessário, uma versão beta da eletiva e de todos os seus recursos foi testada com pequenos grupos de professores e mais de 250 alunos durante junho e julho de 2022. A versão final que surgiu será disponibilizada para todas as escolas por meio das plataformas educacionais dos próprios três estados no início de setembro.

    Colaboração do governo

    Este projeto faz parte do Programa de Acesso Digital (em inglês, Digital Access Programme ou DAP), uma iniciativa apoiada pelo Foreign, Commonwealth and Development Office (FCDO) do Reino Unido. Através deste programa, o FCDO está atualmente trabalhando em parceria com vários governos ao redor do mundo: Quênia, Nigéria, África do Sul e Indonésia, além do Brasil. O DAP visa promover conectividade digital acessível, construir confiança e resiliência no ciberespaço e proteger os membros mais vulneráveis da sociedade.

    A conectividade digital muitas vezes pode ser vista como uma faca de dois gumes para os governos. A internet e as tecnologias digitais são catalisadores poderosos para o crescimento e desenvolvimento econômico – mas também são uma fonte crescente de atividade criminosa e podem expor os civis a uma gama crescente de danos cibernéticos.

    Em cada caso, o objetivo é construir uma capacidade duradoura que ajude os governos nacionais a proteger melhor seus cidadãos online ou a defender sua infraestrutura crítica nacional contra ameaças cibernéticas. Se tudo correr como planejado, professores e alunos em todo o Brasil poderão em breve colher os benefícios.

    Para saber mais sobre este projeto, entre em contato via dap@safernet.org.br (Equipe Safernet) ou mariana.cartaxo@fcdo.gov.uk (Mariana Cartaxo - Embaixada do Reino Unido).

  • Educathon Cidadão Digital: maratona premiada desafia adolescentes a falar sobre uso seguro de tecnologias

    / / Comportamento Online / Por admin / 3 meses 6 dias atrás

    Respeito e empatia nas redes, desinformação, privacidade e bem-estar digital são alguns dos temas do Educathon Cidadão Digital 2022, maratona que convida adolescentes a impactar suas escolas e pensar no uso seguro das tecnologias através de vídeos, podcasts, eventos, gincanas e outras ações criativas. As inscrições de equipes são gratuitas e estão abertas até 06 de novembro (domingo).

    Dados de 2021 do Canal de Ajuda, plataforma da ONG Safernet Brasil que ajuda vítimas de violência online, mostram que problemas com dados pessoais, exposição de imagens íntimas, fraudes, saúde mental e ciberbullying são os principais tópicos de preocupação para adolescentes online hoje. E segundo a pesquisa TIC Kids Online 2021, 44% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos viram alguém ser discriminado na Internet no último ano, o que mostra a importância de educar para prevenir.

    A ONG Safernet Brasil é responsável por realizar a maratona, que conta com apoio da Meta. No ano passado, foram mais de 100 adolescentes finalistas em 15 estados diferentes. A maratona faz parte do Cidadão Digital, que desde 2020 já impactou mais de 150 mil adolescentes e jovens e 66 mil educadores de todo o país com ações educativas alinhadas à Base Nacional Comum Curricular. Veja mais aqui

    No Educathon, adolescentes de 13 a 18 anos (anos finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio) podem se inscrever online gratuitamente em equipes de 3 a 5 pessoas. Na inscrição, as equipes devem contar quais temas de cidadania digital mais lhes interessam e que tipos de ações gostariam de fazer. Além disso, é necessário que um educador ou educadora da escola fique responsável pela equipe. Após as inscrições, as equipes selecionadas receberão mentoria online da equipe do Cidadão Digital e terão 3 semanas, em novembro de 2022, para planejar e executar as ações nas escolas ou comunidades.

    “Com o Educathon, a Safernet Brasil procura estimular o protagonismo de adolescentes na educação por um uso mais seguro, ético, positivo e responsável das tecnologias. Ao mobilizar outros adolescentes, professores, famílias e a própria comunidade, acreditamos que esses jovens líderes podem se tornar mais críticos sobre sua vida online e desenvolver habilidades de segurança digital e educação midiática que são essenciais hoje”, afirma Guilherme Alves, gerente de projetos da Safernet Brasil e coordenador do Cidadão Digital.

    Até 10 equipes serão premiadas: 

    1º lugar: R$ 800 para cada participante + vídeo de divulgação

    2º lugar: R$ 600 para cada participante

    3º lugar: R$ 400 para cada participante

    4º e 5º lugar: R$ 300 para cada participante
    6° a 10° lugar: R$ 100 para cada participante 

    Confira o cronograma:

    06/11: último dia de inscrição

    08/11: anúncio das equipes selecionadas

    10/11: encontro online de boas-vindas

    14 a 25/11: período de planejamento das ações

    28/11 a 02/12: período de execução das ações

    06/12: prazo de submissão da ação para avaliação

    07/12: encontro online de compartilhamento da experiência

    12/12: anúncio das equipe premiadas 

    As inscrições são exclusivamente através do site https://cidadaodigital.org.br/educathon

    Mais informações:

    Marcelo Oliveira - Assessor de Imprensa (11 98100-9521)

    Guilherme Alves - Gerente de Projetos (guilherme@safernet.org.br )

  • Crimes de ódio têm crescimento de até 650% no primeiro semestre de 2022

    / / Crimes na Web / Por admin / 5 meses 3 dias atrás

    Os indicadores da Central Nacional de Denúncias da Safernet, que recebe denúncias de 10 crimes contra os direitos humanos praticados com o uso da internet, mostram que houve mais denúncias de racismo, lgbtfobia, xenofobia, neonazismo, misoginia, apologia a crimes contra a vida e intolerância religiosa no primeiro semestre de 2022 em relação ao mesmo período do ano passado. 

    Mantida essa tendência até o final do ano, 2022 será o terceiro ano eleitoral consecutivo em que houve aumento de denúncias de crimes de ódio em relação aos anos anteriores, demonstrando que nos anos em que há eleições, ocorre um acirramento do discurso de ódio na internet. 

    Somadas as denúncias dos sete crimes, a Safernet recebeu 23947 denúncias no primeiro semestre de 2022, um aumento de 67,5% em relação ao mesmo período de 2021. Em números absolutos, o crime mais denunciado foi o de misoginia, com 7096 casos. 

    Levantamento realizado pela Safernet divulgado em abril deste ano mostrava que tanto em 2020, ano de eleições municipais, quanto em 2018, ano da última eleição presidencial, houve aumento de denúncias de crimes de ódio na internet em relação aos anos anteriores, em que não houve eleições. 

    Em 2018 e 2020, contudo, o crime de intolerância religiosa não seguiu a tendência dos demais crimes, mas no primeiro semestre de 2022 este crime teve 2813 denúncias, 654% mais do que no primeiro semestre de 2021, quando foram registradas 373 denúncias. 

    Diversidade contra a barbárie

    Para a Safernet, a repressão penal aos crimes de ódio deve ser acompanhada de ações que promovam a diversidade. 

    “As eleições tornaram-se um campo fértil para o discurso de ódio, que desde 2018 têm registrado aumento no período eleitoral. Por isso a Safernet lançou em abril deste ano a segunda edição do SaferLab, apoiando jovens criadores de conteúdo de diferentes regiões do Brasil para produzir narrativas que promovam um consumo mais crítico de conteúdo, gerem empatia com grupos que historicamente são alvos de discriminação e sensibilizem parte da audiência para serem aliadas na defesa de direitos humanos na Internet”, afirma Juliana Cunha, diretora de projetos especiais da Safernet, responsável pelo projeto. 

    Além de manter a Central Nacional de Denúncias, que mantém cooperação com as autoridades, a Safernet mantém também ações educacionais, visando a prevenção de crimes e a educação sobre o uso cidadão da internet. 

    O SaferLab é um laboratório de ideias que apoia o protagonismo jovem na criação de conteúdos sobre direitos humanos para tornar a internet um lugar melhor - com mais diálogo e respeito à diversidade. Oito jovens criadores das cinco regiões do país têm recebido mentorias, workshops e bolsas para criar contranarrativas ao discurso de ódio. 

    Contranarrativas são histórias que se opõem ou desmontam um senso predominante. São maneiras de se opor e desconstruir narrativas comuns de discriminação e intolerância, mas vão além e têm uma abordagem propositiva, propondo o diálogo, a igualdade, o respeito às diferenças e a liberdade. Isso pode ser feito com fatos, dados, humor, sensibilidade e outras atitudes que promovam experimentar diferentes pontos de vista. Provocar empatia pelos grupos discriminados é um dos objetivos.

    Crescimento do discurso de ódio nas eleições

    Para a Safernet, os indicadores da Central de Denúncias apontam que as eleições são como um gatilho para o avanço do discurso de ódio. Os picos de denúncias crescem em anos eleitorais, se transformando em uma poderosa plataforma política para atrair a atenção da audiência e dar visibilidade e notoriedade aos emissores. 

    Até 30 de junho deste ano, intolerância religiosa e xenofobia foram os crimes de ódio cujas denúncias mais cresceram em relação ao mesmo período de 2021: 654% e 520%, respectivamente. O terceiro crime que registrou o maior aumento foi o de neonazismo, que teve um crescimento de 120% no número de denúncias.

    Em 2020, as denúncias de neonazismo tiveram um crescimento de 740,7% em relação ao ano anterior, enquanto que racismo e xenofobia registraram mais do que o dobro de denúncias em relação a 2019, registrando 148% e 111% de aumento, respectivamente.

    Em 2018, misoginia (1639,5%), xenofobia (595,5%) e neonazismo (262%) tiveram os maiores percentuais de crescimento em relação à 2017: 

    Confira os dados completos aqui: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1hmB3ZiyABDLe0u2lYVxaXL328GdNI0IQQQGB4d99To8/edit?usp=sharing

    Cartilha

    Um dos produtos desenvolvidos pelos criadores do SaferLab é a cartilha “Eleições Sem Ódio” sobre desinformação e discurso de ódio. 

    Escrita em linguagem simples e direta, a cartilha é voltada para o eleitor jovem e sua família e alerta sobre como esse tipo de conteúdo pode influenciar negativamente as eleições e o que pode ser feito para combater a desinformação e o discurso de ódio. 

    A cartilha estará disponível online e possui links para atividades interativas, como quiz e jogos, que contribuem para a assimilação do conteúdo. 

    Acesse a cartilha aqui: https://saferlab.org.br/eleicoessemodio.pdf

    Série de lives

    Outra proposta trazida pelo Saferlab é uma série de lives no mês de setembro com especialistas para conversar sobre os impactos da desinformação e discurso de ódio em ano de eleições e compartilhar boas práticas sobre como lidar com este problema. A agenda será divulgada oportunamente pelas redes sociais e site da Safernet. 

    Sobre a Safernet

    A Safernet é a primeira ONG do Brasil a estabelecer uma abordagem multissetorial para proteger os Direitos Humanos no ambiente digital. Fundada em 2005. A Safernet criou e mantém a Central Nacional de Denúncias de Violações contra Direitos Humanos (Hotline) ( https://new.safernet.org.br/denuncie ), o Canal Nacional de Apoio e Orientação sobre Segurança na Internet (Helpline) ( https://new.safernet.org.br/helpline ) e ações de conscientização sobre uso cidadão da Internet. São 16 anos de experiência na entrega de projetos inovadores com enorme impacto social, incluindo programas de capacitação para educadores, adolescentes, jovens e formuladores de políticas públicas no Brasil. Desde 2009, a Safernet coordena o Dia Mundial da Internet Segura no Brasil e, em 2013, a SaferNet foi homenageada com o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, concedido pela Presidência da República do Brasil. Mais informações: https://www.safernet.org.br/

  • Safernet defende protagonismo de crianças e adolescentes em ações para proteção online

    / / Comportamento Online / Por admin / 5 meses 1 semana atrás

    Durante o 7º Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet, realizado em São Paulo no último dia 16, a Safernet, uma das correalizadoras do evento, defendeu que crianças e adolescentes tenham um papel cada vez mais ativo na criação de ações de educação para o uso seguro e saudável da internet. 

    “A responsabilidade compartilhada é a única possibilidade concreta de haver mudanças efetivas de implementação de políticas públicas. Podemos contemplar as crianças e os adolescentes não apenas a partir das vulnerabilidades, mas também pela potência criativa na construção de alternativas e abordagens. Na Safernet temos aprendido muito com a participação de adolescentes e jovens na cocriação das ações da organização, criando um ambiente não apenas de escuta, mas de influência e impacto que conecta as perspectivas de diferentes gerações sobre as mesmas problemáticas”, afirmou o diretor de Educação da Safernet, Rodrigo Nejm, na abertura do evento.

    A Safernet organizou a único painel do simpósio que contou com a participação presencial e online de adolescentes como palestrantes, e apresentou ao público alguns resultados do programa Cidadão Digital, mantido pela ONG em parceria com a Meta, e outras iniciativas, como o Imprensa Jovem, de educomunicação, da Secretaria Municipal da Educação de São Paulo, e o Onda Digital, do Instituto de Computação da UFBA. 

    A mesa foi mediada pela gerente de projetos da Safernet, Manu Halfeld, ela mesma uma jovem talento engajada desde a primeira edição do Cidadão Digital, em 2020, e contou com a presença das adolescentes Ayla Santos, 16, e Julia Fernandes, 15, ex-integrantes do Imprensa Jovem, do professor Ecivaldo Matos, da UFBA, Natália Paiva, diretora de Políticas Públicas do Instagram, e Guilherme Alves, gerente de projetos da Safernet. 

    Confira a íntegra do painel aqui:

    Acesse materiais de apoio e documentos do painel organizado pela Safernet no simpósio: https://padlet.com/cdsafernet/painelsimposio2022

    Guilherme Alves, em uma de suas falas, reiterou o posicionamento da Safernet sobre o tema, e que tem norteado diferentes ações da ONG, como o programa Cidadão Digital, e defendeu que o simpósio e outros eventos que discutam a segurança e a utilização da internet pela criança e pelo adolescente tenham uma participação maior desse público. 

    "Não é possível materializar a proteção de crianças e adolescentes na internet sem expandir sua participação nos projetos para além de beneficiários. E não apenas a ideia de dar voz, mas considerar essas vozes como relevantes e com impacto decisório, da idealização à avaliação dos resultados. Isso tem nos ajudado a criar projetos que de fato se comuniquem com esse público, criando valor sobre temas como privacidade e empatia, e apostando na educação entre pares como estratégia de proteção", afirmou.

    Julia Fernandes, que aos 15 anos atua como redatora freelancer e cria conteúdo jornalístico que ela publica em suas redes sociais, concorda: “É para ou com crianças? É com crianças. É com a nossa participação”. “O estudante já tem sua voz. Ele só precisa de espaço”, afirmou Ayla Santos. 

    O professor Ecivaldo Matos trouxe da Bahia boas práticas do Onda Digital, como o programa Spike, de design participativo, em que crianças e adolescentes são co-criadores de soluções digitais para problemas de suas comunidades. 

    Natália Paiva antecipou no painel algumas funcionalidades da ferramenta de controle parental do Instagram, desenvolvida com pais e crianças e adolescentes, inclusive no Brasil, e cuja versão nacional deverá ser lançada em setembro deste ano. 

    Durante o painel da Safernet foi exibido um vídeo produzido pela equipe SAC, de Navegantes (SC) segunda colocada do Educathon, 2021, maratona educacional promovida pela Safernet no âmbito do Cidadão Digital, que criou um projeto em defesa do autocuidado nas redes, contra o cyberbullying e a autodepreciação.

    Sobre o Cidadão Digital - A edição 2022 do programa segue com inscrições abertas para jovens de 18 a 29 anos com interesse em participar da formação online do Cidadão Digital. São cinco módulos com conteúdos sobre Introdução à Cidadania Digital (5h); Segurança, Privacidade, Criptografia e Reputação Digital (5h); Respeito, Empatia e Relações Seguras Online (5h); Bem-estar e Saúde Emocional na Internet (5h); Educação Midiática e Desinformação nas Eleições (5h).

    A conclusão da formação permite aos jovens que estes proponham atividades educacionais sobre os temas do Cidadão Digital para alunos do 8º e 9º ano e do ensino médio da rede pública brasileira. Este ano, os projetos que tiverem mais engajamento poderão ser premiados e seus criadores poderão, inclusive, tornar-se bolsistas do programa. 

    Mais informações sobre o CD 2022 aqui.

    Inscrições para a Formação Online aqui.

    Sobre o simpósio: O 7º Simpósio Crianças e Adolescentes na Internet é uma realização do NiC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR) e do CGI.br (Comitê Gestor da Internet do Brasil). A Safernet é co-realizadora desde a primeira edição do evento, que atualmente conta também com a co-realização do Instituto Alana e da FGV Direito SP. 

SaferNet Brasil | CNPJ: 07.837.984/0001-09